Nos caminhos da vida e em diversas circunstâncias além de o pensamento nos levar a recordar o passado, também nos nossos discursos formais e informais, não raras vezes evocamos a história da nossa vida, da nossa comunidade, da humanidade. Digamos que a história é um passado presente, sempre que permanece ou deve permanecer na nossa memória, na nossa mente. E se um povo, uma nação deve honrar o seu passado, sobretudo quando foi glorioso, também cada um de nós não deve esquecer as origens, como viveu e a vida que percorreu. Recordando de forma construtiva o que fomos e como fomos, sermos gratos com o passado e com as pessoas que nos ajudaram eleva o nosso grau de identidade e faz de nós cidadãos honestos, seguros e com mais urbanidade.

Na verdade, é na memória que sustentamos a riqueza da nossa experiência humana, na qual arquivamos tudo o que na vida fomos aprendendo e esta, pela força das circunstâncias, nos foi ensinando. Ter memória e exercitar a memória é uma qualidade humana, intelectual, que devemos, na medida do possível, trabalhar e conservar. É certo que não será fácil inverter a tendência natural de diminuição evolutiva ao longo dos anos.

Todavia, torna-se assaz preocupante a todos os níveis, quando, por muitas e variadas razões, mas, sobretudo por deformação de valores morais, éticos e educativos, como diz o povo e com razão, as pessoas ficam com a memória curta. Em muitos casos, só para algumas coisas, onde a memória curta se mistura com a ingratidão, a maledicência e a mais refinada hipocrisia.

No percurso da vida de cada um de nós, encontramos, infelizmente, inúmeras e inexplicáveis vezes, situações de memória curta, ou melhor dizendo, de omissão de memória, o que não quer dizer que a memória não exista, o que se torna, ainda muito mais problemático em termos sociais, na manifestação do equilíbrio da emoção e da razão.

No fundo, a popularmente designada memória curta acaba por ser, também, não raras vezes, uma hipócrita manifestação de ingratidão, quando nos esquecemos de coisas boas que nos aconteceram e de atos de bondade e generosidade que outras pessoas tiveram para connosco.

De facto, quando nos observamos e observamos as pessoas à nossa volta e as suas posturas, em determinadas situações, é muito fácil perceber quão injustas elas são, ou se tornaram para com a vida, com elas próprias, com os outros e mesmo para com Deus. Ora se a falta de memória gera sofrimento, a memória curta aliada à ingratidão deverá gerar o mesmo tipo de negativa emoção.

Se pensarmos bem, é muito mais fácil percebermos manifestações ingratas de memória curta do que ver alguém reconhecido a agradecer pelas oportunidades que lhe proporcionaram posicionamentos laborais e sociais promotores de alegrias e bem-estar na vida.

Tudo isto nos deve levar a refletir no sentido de tentarmos compreender as circunstâncias e os objetivos potenciadores da memória curta, onde também me parece que em muitos casos, a inveja, o narcisismo, a arrogância e falta de respeito pelo “outro” se complementam na perfeição.

Sejam quais forem as circunstâncias e os contextos, é bom que a nossa memória exercite as coisas boas e a positividade da vida, sendo gratos, gerando entusiasmos nos caminhos que nos conduzam ao reconhecimento do bem, lutando por algo que nos faça felizes, a todos, a nós e aos outros.