O eventual leitor deste texto terá sobre o autor a vantagem de poder conhecer os resultados das eleições parlamentares de ontem na Suécia — que eu não conheço ainda, quando escrevo este texto. Mas conheço as sondagens e os alertas insistentes da melhor imprensa internacional das últimas semanas sobre a hipótese de um segundo lugar, com perto de 20% dos votos, para um partido radical anti-imigração (até agora praticamente irrelevante).

Pode ser que os resultados não tenham confirmado as sondagens. Mas a questão é esta: já não estamos a falar da Grécia, nem de Espanha, nem da Hungria, ou da Polónia, nem mesmo de Itália, ou do sempre excêntrico Reino Unido. Agora estamos a falar da ordeira, liberal e social-democrata Suécia. Por que motivo estão os eleitores em revolta contra os partidos clássicos — e ‘clássicos’, para mim, é um elogio — nas democracias do Ocidente? E por que motivo essa revolta foi também agora equacionada, pelo menos como hipótese, para a ordeira, liberal e social-democrata Suécia?

Não pretendo saber a resposta. Mas sustento que os factos estão a refutar as respostas politicamente correctas que até aqui têm inundado a comunicação social e os meios ‘bem pensantes’. Dizem eles que está a ocorrer uma onda ‘nacionalista’, ‘soberanista’ e ‘extremista’ contra os ideais ‘trans-nacionais’ ou ‘supra-nacionais’ ou ‘multiculturais’  da democracia liberal.

A primeira e fundamental questão que tem de ser colocada (e que venho colocando suavemente desde pelo menos um artigo que publiquei em 2012 no Journal of Democracy)  é muito simples: por que motivo deveria o sistema de regras gerais, que constitui a democracia liberal, ser identificado com um programa substantivo particular, (como é o caso do ‘multiculturalismo’, ou ‘governação supra-nacional’ ou ‘abertura total à imigração’)?

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