Se o tema lhe causar desconforto, não se sinta só. É um assunto envolto em secretismo e privacidade. É um assunto íntimo que leva ao ditado popular “entre parceire e parceire não metas a colher” (mudamos apenas o ditado para ser neutro de gênero.)

No entanto, o Covid-19, e por conseguinte os confinamentos, vieram mudar o paradigma das relações, dos casais e da maneira como a intimidade é vista (e sentida).

Os constantes confinamentos obrigaram as famílias a passarem mais tempo juntas, fazendo com que a sua saúde mental e sexual fosse testada e a venda de produtos sexuais repercutiu-se, disparando.

A importância dada ao tema fez com que o tabu diminuísse e passou a valorizar-se mais a saúde sexual como um bem necessário! Como consequência, a procura de soluções digitais (e físicas) por casais, de forma a colmatar necessidades de conexão ou de diversão, refletiu-se num crescimento de novos produtos tecnológicos para a saúde íntima.

E quais são os produtos mais “in” a nível tecnológico que melhoram a saúde sexual dos casais? Aplicações de telemóvel como a Pleasy Play permitem que casais trabalhem na sua conexão e comunicação e tornem a sua relação mais íntima e divertida (incluindo também uma caixa de produtos físicos). Aplicações como a Emjoy e a Ferly estão mais direcionadas para indivíduos que querem ter uma experiência com conteúdo erótico em áudio; e aplicações como a Kindu e Pocket Kamasutra focam-se mais na experiência física e em jogos. Portanto, a tecnologia permite, de forma rápida, a qualquer pessoa explorar temas que não conheça ou simplesmente aprofundar o seu relacionamento e divertir-se.

Para além disso, permite igualmente a exploração de experiências mais realistas, com a utilização de realidade virtual (VR) de suporte, como é o exemplo da Imbué, bem como tem o poder de auxiliar em temas mais complexos como ajudar indivíduos a tratar a ejaculação precoce com a Morari.

Para além de todas as aplicações práticas, a tecnologia também tem auxiliado a sociedade a falar do tema de forma mais aberta e descontraída, tornando-se num grande veículo de informação. Os podcasts são um dos principais exemplos onde se transmite informação sem restrições. Excelentes podcasts sobre a temática são: Intimacy Play (tudo sobre relacionamentos e sexo incluindo convidados como o humorista António Raminhos), Ramboia com Moderação (tudo sobre relações poliamorosas) e My Dad wrote a Porno (podcast humorístico sobre um livro sexual escrito pelo pai e lido pelo filho).

Podcasts, aplicações de telemóvel, realidade virtual, qual é a sua aposta tecnológica no que diz respeito à intimidade?

Ana Mikaela é uma empreendedora, mãe e mulher, com expertise em Marketing e com uma grande garra em fazer as coisas acontecer. Dedica-se com paixão a tudo, e mais recentemente em falar sobre intimidade para casais de forma descontraída e divertida através da sua start-up tecnológica. Cidadã do Mundo, tendo nascido e crescido em Moçambique, vivido em Portugal, França, Inglaterra e Angola, adora viajar e sentir as culturas de cada país.

O Observador associa-se à comunidade Portuguese Women in Tech para dar voz às mulheres que compõem o ecossistema tecnológico português. O artigo representa a opinião pessoal do autor enquadrada nos valores da comunidade.

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