A UE poderá desempenhar um papel importante para mitigar quaisquer de dois problemas que os seus Estados Membros irão enfrentar, em particular Portugal e os países do sul da Europa: acréscimo do défice; e a possível dificuldade em obter crédito em resultado do aumento da dívida pública.

Relativamente ao acréscimo do défice, a UE para além de dar maior folga orçamental aos seus países membros (algo que já fez), poderá conceder fundos correntes ou estruturais. Apesar dos vários altos e baixos das discussões e trabalhos, os ministros das Finanças da UE acordaram um pacote superior a 500 mil milhões de euros para responder à crise económica. Para além desta existem outros medidas, mas isto é apenas o início, um sinal da ajuda que deve ser estabelecida entre os países da UE.

Relativamente à possível dificuldade na obtenção de crédito, o BCE irá expetavelmente contribuir, com a aquisição de ativos que permitirá aumentar a liquidez dos bancos e baixar as taxas de juro (apesar destas não poderem baixar muito mais), facilitando assim o acesso ao crédito, o que poderá, inclusivamente, aumentar a liquidez das empresas. A compra de dívida pública pelo BCE através do MEE (Mecanismo Europeu de Estabilidade) para financiamento das medidas imediatas também poderá e deverá ser um passo a adotar, no sentido de diminuir esta dificuldade. A criação de “corona bonds” ou “euro bonds” é outra das medidas. Estas obrigações emitidas pelos países membros da UE poderiam permitir aos países em geral aceder a crédito a taxas mais baixas. Evidentemente que para isso alguns países teriam de aceder a taxas mais altas, daí a dificuldade de implementação desta medida. Contudo, esta parece ser uma solução adequada que irá permitir a obtenção de crédito aos países com maiores dificuldades, demonstrando uma verdadeira solidariedade entre os países da UE.

Independentemente das medidas a implementar, este é um momento crucial para a UE, que poderá também servir para definirmos o que queremos para ela. Queremos apenas um acordo de comércio livre ou queremos uma verdadeira união económica e política? E neste momento, uma verdadeira união económica e política terá de responder a esta crise, com uma real solidariedade entre países. Mas para se tornar nesta verdadeira união, não basta um conjunto de intenções, é necessário um conjunto de compromissos, que se traduzam num aumento orçamental da UE (dos pouco mais de 1% do PIB da EU para pelo menos 10%) para que esta possa efetivamente desempenhar um papel crescente nas economias dos países. Caso isto não aconteça, teremos de repensar o modelo europeu e perguntar se o mesmo continua a valer a pena. Acredito que a Europa vai conseguir superar esta fase numa verdadeira unidade que tal como dizia Sá Carneiro “é a unidade na liberdade e na diversidade, forjada na ação comum e que se baseia em opções decorrentes do exercício pleno das liberdades fundamentais.” Aguardemos as ações!