Passados apenas 8 dias do início daquele que já é considerado o maior incêndio de sempre em Portugal, e menos de um mês depois de o país ter começado a arder, o Governo, com a prontidão que lhe é reconhecida, adianta-se à situação e convoca um Conselho de Ministros Extraordinário. A reacção instantânea, com escassas semanas a decorrerem até à tomada de decisão, é prova do apurado instinto político de Luís Montenegro, que topou que alguma coisa se estava a passar e era melhor intervir com rapidez. É desta cepa que se fazem os estadistas. Enquanto os portugueses viam os vários incêndios há menos de um mês e ainda não percebiam bem a gravidade da situação, já o Primeiro-Ministro sentia as suas orelhas a arder. São reflexos dignos de um gato. Daqueles empalhados, mas ainda assim um gato.

(Dando provas da sua sageza, e mostrando que não se cinge à época dos fogos, Montenegro merece também ser elogiado pela celeridade com que congratulou Rosa Mota pela conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Seul.)

O que não se percebe são as críticas que foram feitas por não ter sido cancelada a festa do PSD no Pontal. Obviamente, Montenegro fez bem em manter o evento. Toda a gente sabe que uma das maiores dificuldades no combate aos fogos é a presença de políticos nos teatros de operações a condicionarem o trabalho das autoridades. Ao manter a Festa, Montenegro conseguiu que, pelo menos durante umas horas, os governantes ali reunidos não estivessem a atrapalhar bombeiros em incêndios. É este tipo de planificação que o país precisa, é de um Primeiro-Ministro como este que os portugueses merecem. Acham que Montenegro queria estar ali celebrar as realizações do seu Governo para efeitos de propaganda, a beber uma jola e a dançar ao som do Toy? É evidente que não. Luís Montenegro estava ali contrariado, a sacrificar-se pelos seus concidadãos. Os militantes até podiam estar satisfeitos a papar carne assada, mas o PM já só pensava no rescaldo verde.

Quem também tem estado muito bem nesta época de incêndios é André Ventura. Num vídeo publicado pelo Chega, Ventura prova que não só lidera a oposição ao Governo, como também lidera a oposição a fogachos. É impossível vê-lo a fustigar uma labareda à beira das árvores e não simpatizar com o trabalho que Ventura está a efectuar. Qualquer português que já tenha feito um churrasco em que a gordura da entremeada provoca uma erupção nas brasas, sabe que é preciso agir rápida e decididamente, para não esturricar a carne. Ventura fustiga o fogo com firmeza e combatividade, como se as chamas fossem emigrantes.

A bravura de André Ventura não é valorizada como devia. Devemos recordar que, há poucos meses, Ventura foi internado depois de matar a sede. André Ventura tem de ser muito valente para, pouco tempo após ter sido alvo de agressão por copo de água, se deslocar a um sítio com vários camiões-cisterna cheios do malévolo líquido. É um homem que põe os interesses do país à frente da segurança do seu goto.

Infelizmente, Ventura é um político só, o seu partido não o consegue acompanhar ao nível da genialidade. As dificuldades de recrutamento do Chega são conhecidas, como o próprio André Ventura admite nesse mesmo vídeo. É uma grande prova de humildade, ter deixado ficar registado o momento em que se aproxima de um cão para o convidar a integrar as listas do Chega nas próximas autárquicas, só para receber uma nega. Os que gozaram com isto ainda ãoãoão de se arrepender.