Eleições Europeias

Mais vale ter Vox, do que não ter deputada Ana Catarina Mendes

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Porque é que nos preocupamos com a extrema-direita e acolhemos a extrema-esquerda no governo? Porque achamos mais toleráveis os que ainda hoje não conseguem condenar sequer a ditadura norte-coreana?

A existência – e o sucesso – do partido Vox em Espanha, têm dado que falar, e muito, em Portugal. Tornou-se, igualmente, em tema de campanha das eleições europeias. Ana Catarina Mendes, deputada socialista, vem, em artigo publicado no Observador, trazer – de novo – o tema do Vox (e da extrema direita em geral) afirmando que só o socialismo democrático (?) pode “salvar” a Europa desse perigo direitista.

Ora, como bem lembrou Nuno Melo num debate televisivo, ninguém se preocupa com a extrema-esquerda (que suporta o governo português)? Essa extrema é boa? Só quando é do lado direito é que há problema?

Se existisse um crescimento significativo de partidos da extrema-esquerda na Europa, a questão seria colocada? Acho que não, infelizmente. Importa, pois, tentar perceber por que razão tem a extrema-direita essa sombra maléfica, a pairar sobre si.

É para mim claro, que a sombra foi criada – e é mantida – pela esquerda (extrema e não só) que cola a extrema-direita (e de caminho a direita no geral) ao fascismo. Se a colagem é errada, mas repetida até à exaustão, cabe aos democratas amantes da liberdade, afirmar as vezes que forem necessárias, que tal não é verdade, nem cientificamente nem historicamente. O fascismo italiano e a derivação alemã do nazismo são regimes nascidos em determinado contexto histórico, onde se fundiram aspectos nacionalistas, populistas, personalistas (a figura do chefe esperado e endeusado) e também eugenistas.

Ora, tirando da equação uns quantos mentecaptos que se dizem nazis – ou fascistas –. os partidos de direita, mesmo os da extrema, não reclamam essa herança. Aliás nem podiam, pois tal é proibido (e bem). Ora, na extrema-esquerda, não existe pejo algum em afirmar-se que se é herdeiro do maoismo, do estalinismo ou de outra qualquer variante desses hediondos regimes que mataram milhões à fome, que fizeram purgas gigantescas, que proibiram a liberdade religiosa e que impediram a liberdade de expressão e de reunião – tal qual os fascistas.

Se dúvidas existissem, no que respeita ao posicionamento da nossa extrema-esquerda, veja-se como os comunistas e bloquistas portugueses não conseguem afirmar, sem rebuço, que o que se passa na Venezuela é um crime contra a humanidade e que a Coreia do Norte é uma ditadura sangrenta e alucinada. O nosso partido comunista nem sequer ainda fez um mea culpa sobre os crimes – e o falhanço – do regime soviético. Nem com tudo o que já se sabe, nem com 30 anos passados!

Obviamente que não se pode ser ingénuo ao ponto de se pensar que os fascismos e os ditadores de direita estão erradicados, para sempre, na história do mundo. Não estão. Mas mais distantes estarão, quanto maior for a distância, entre as forças democráticas e a extrema esquerda. Porque para cada efeito, existiu uma causa. A reacção ao comunismo será o fascismo, e à esquerda radical, a direita também radical.

O problema em Portugal é que, à boleia de uma imprensa cega e hipnotizada com a defesa das minorias, particularmente aquelas que se relacionam com as questões de género, a nossa extrema-esquerda vê as suas incongruências e hipocrisias branqueadas com o melhor dos sabões.

A táctica da esquerda (extrema e não só) é simples. Enquanto apontam o dedo à direita (extrema e não só), colando-a aos fascismos, afastam deles próprios os fantasmas do seu passado. Usam aquela máxima que o ataque é a melhor defesa. Tem resultado, mas já é hora de, na direita, respondermos na mesma moeda.

Se, em hipótese, tivesse que escolher entre votar no Vox ou no PCP, não optaria por um partido comunista anquilosado que não consegue condenar o regime da Coreia do Norte e defende um Maduro que tem tanto de trágico como de cómico. Até ver, o Vox não preconiza a erradicação da propriedade privada e não defende regimes – mesmo que extintos – que não permitem a formação de partidos políticos, nem acreditam numa imprensa livre, ou seja, que não aceitam a vox dos outros.

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