Portugal está numa encruzilhada.

Depois de quatro décadas de ditadura, e outras tantas de democracia, podemos concordar que Portugal integra o grupo das nações mais avançadas do planeta. O progresso, medido em qualquer conversa com os nossos pais ou avós, é evidente. Nem vale a pena elencar, sobre pena de estarmos a esquecer algo que a todos nos orgulha. Portugal, hoje, demonstra-se por si próprio, com áreas de excelência múltiplas e gente de valor imenso.

Portugal evoluiu. Mas não chega.

Apesar dos avanços e das mudanças, da integração Europeia, dos investimentos e esforço dos Portugueses, em especial desde o início do século, continuamos na “cauda” da Europa. Há problemas estruturais que nunca foram resolvidos: a diferença de desenvolvimento entre o litoral e o interior, a concentração urbana e o abandono das zonas rurais, e a produtividade e liberdade económica para responder aos desafios do mercado comum e de um mundo globalizado.

Ao mesmo tempo, novas questões se apresentam: A enorme dívida que acumulamos, a nossa afirmação numa Europa unida, a sustentabilidade da segurança social ou uma crise demográfica em pleno vapor.
Apesar dos ganhos, a competitividade da nossa economia é frágil e incerta. A nossa competitividade global aumenta, mas no digital diminui. Avançamos no presente, com taxas de juro baixas e o turismo em alta. Onde se decide o futuro, continuamos a ficar para trás.

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Gráfico 1 – World Competitiveness Ranking versus World Digital Competitiveness Ranking – 5 years comparison (IMD)

E porquê? Acima de tudo, o Estado engole metade da riqueza nacional, empecilha as pessoas com regras e taxas, obrigações e prazos, autorizações e impostos. Sendo gerido como uma coutada dos partidos do regime. Partidos que para sua sobrevivência tudo querem controlar, impondo as soluções que só eles entendem e negando a evidência da má gestão e da corrupção, até se virem envergonhar da democracia.

No meio de tudo isto, onde fica o cidadão?

Quem cuida dos filhos e dos pais, quem estuda para ter uma vida melhor, quem investe para criar riqueza, quem se preocupa com os que têm menos e dá do seu tempo e dinheiro para ajudar os outros? Quem se dedica à comunidade e quer contribuir para um Portugal mais moderno, mais inovador, mais global? Quem entra primeiro e sai só quando acaba o trabalho, ajuda o colega para ele chegar a casa mais cedo e arranja tempo para o clube da terra ou os bombeiros voluntários? Quem não se mete na vida dos outros e quer fazer melhor da sua própria vida

Não fica. O cidadão é visto como um mero contribuinte para pagar as contas da autopreservação do Estado; uma garantia, um fiador da dívida; um empecilho que importa controlar e garantir que cumpre as regras impostas de cima, não vá atrasar-se a pagar ao fisco, ou a inovar e ficar rico, não precisando do Estado para nada.

As regras impostas pelo Estado, pelos partidos que o personificam, pelos apparatchiks que os controlam, e que dizem saber, melhor do que todos, o que é melhor para todos. Aqueles que têm estado no Estado tudo fazem para sobreviver à custa da população.

Mas há cidadãos que pensam e sabem que o melhor para todos não é o que dizem alguns, os “iluminados” que persistem em gabinetes ministeriais e autárquicos, nos comentários televisivos e nos salões parlamentares.

O melhor para todos é mais Liberdade, o respeito inalienável pelos direitos fundamentais do indivíduo, e Responsabilidade pelo nosso próprio destino. Sabendo que a natureza humana é falível e volátil e que não há respostas certas. Permitir cada um fazer o que acha melhor por si, sem utopias sociais comunistas, socialistas, autocráticas ou anarquistas, que acabam sempre em tragédia ou farsa. Com o cidadão atuante, não mais apenas contribuinte, acabam-se as desculpas para que os instalados no sistema continuem os seus desmandos.

Não tenho dúvidas do caminho a seguir. Menos Estado, mais Liberdade. Sem Donos Disto Tudo, monopólios nem cartéis. Um Portugal Mais Liberal, na Política, na Sociedade e na Economia.

Membro da Comissão Executiva da Iniciativa Liberal