Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Seria necessário ser muito ingénuo para acreditar que a política estaria suspensa durante o período de emergência. Seria obviamente o desejo do governo. O PM desejaria liderar uma união nacional, do PCP ao CDS, mas é demasiado realista para acreditar nessa ilusão. E, após um par de semanas de solidariedade nacional, o regresso da política já se deu. Hoje, há um confronto claro entre o Bloco e o governo, mesmo que seja muito dissimulado.

O PM começou por atacar o governo holandês de um modo violento, usando uma linguagem pouco habitual e inesperadamente violenta. Ora, Costa — político profissional desde que saiu da universidade — nada faz por acaso. Sabe muito bem que os eurobonds nunca seriam aprovados nas próximas semanas. Portugal tem diplomatas muito competentes em Bruxelas, que seguramente explicaram ao PM o pensamento das várias capitais sobre a matéria. O PM também sabe que a oposição aos eurobonds que conta está em Berlim, incluindo no ministro das Finanças da sua família política socialista. A Holanda está apenas a ser a voz alemã, com um entusiasmo lamentável, é verdade, mas o poder está com os alemães e não com os holandeses. Costa nunca atacaria o governo alemão porque sabe que no futuro vai precisar de Merkel.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.