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Alexis de Tocqueville, um conservador liberal com um fundo de pessimismo antropológico e também por isso atento às derivas perversas dos grandes ideais, estabeleceu a genealogia das ideias democráticas e chegou ao conceito aparentemente contraditório de “despotismo democrático”.

Fê-lo primeiro em L’Ancien Régime et la Révolution, analisando a filosofia das Luzes e os seus protagonistas. Os filósofos franceses da Ilustração e da Enciclopédia eram racionalistas que trabalhavam sobre uma Antropologia abstracta e, por isso, facilmente revolucionária. Enquanto em Inglaterra os pensadores contavam já com a experiência de uma sociedade que cortara a cabeça ao Rei, que passara, entre as Guerras Civis, por um processo revolucionário e que vivera a ditadura de Cromwell, a Restauração e a Glorious Revolution, em França, os filósofos discorriam nos salões das duquesas sobre índios e chineses idealizados, deliciosamente primordiais, construindo admiráveis utopias e divagando sobre sociedades tão imaginárias como perfeitas.

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