A Síndrome do Edifício Doente (SED) compreende um conjunto de sintomas, como espirros, tosse e sintomas respiratórios, apresentados pelos ocupantes de um mesmo edifício. Entre os principais fatores responsáveis pela SED, destacam-se os contaminantes biológicos que incluem fungos e ácaros, que proliferam em ambientes húmidos. No entanto, a exposição a fungos em locais fechados é um fator de risco específico, habitualmente esquecido ao considerar a etiologia de doenças fúngicas. De fato, segundo o relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR) de 2018: “A humidade nas habitações favorece o aparecimento de fungos e tende a fazer aumentar a concentração de poluentes. Estudos apontam para uma taxa de 20% das casas portuguesas com problemas de humidade”. As evidências científicas revelaram também haver uma relação significativa entre a humidade encontrada em ambientes residenciais e o crescimento de fungos, asma e sintomas respiratórios.

De entre os fungos oportunistas, os fungos da espécie Aspergillus fumigatus destacam-se como sendo de maior virulência (ou grau de patogenicidade), devido à sua capacidade de produzir esporos de pequeno diâmetro (2 a 3 µm), o que facilita a sua dispersão e penetração em alvéolos pulmonares. Com efeito, alguns estudos ambientais indicam que os humanos inalam entre 100 a 1000 destes esporos por dia.  Outros fatores de virulência desta espécie de fungos, igualmente relevantes, são a sua adaptação a uma elevada gama de temperaturas, nomeadamente temperaturas elevadas, e a produção de uma toxina que inibe células imunitárias e que permite uma invasão do tecido pulmonar.

A inalação dos esporos desta espécie de fungo nos pulmões pode provocar infeções, denominadas genericamente por aspergiloses, que podem ser fatais em pessoas com o sistema imunitário deprimido, como é o caso de pessoas com SIDA ou com neutropenia. Além disso, a resistência adquirida por espécies de Aspergillus contra fungicidas, constitui um problema emergente.

Por outro lado, os ácaros domésticos têm sido amplamente estudados devido ao potencial alergénico das suas fezes e ovos, chegando a afetar 90% dos doentes asmáticos. Em indivíduos mais sensíveis, estes alérgenos podem provocar sintomas por contato externo direto (conjuntivite, eczema), inalação (rinite, asma, eczema) e ingestão (urticária, anafilaxia). Tal como fungos, os níveis de alergénios de ácaros do pó tendem a aumentar durante o verão, quando a temperatura e humidade são maiores, permanecendo elevados até ao inverno. À semelhança do Aspergillus fumigatus, cujos valores ótimos de humidade relativos variam entre 60 e 80%, os ácaros do pó proliferam otimamente em ambientes com humidade relativa próxima de 75%. Importa, por isso, precaver esta situação propícia ao aparecimento ou agravamento destes problemas respiratórios e alergias, idealmente através do controlo da humidade e adequada higienização dos edifícios.