Amanhã, dia 23, muito do Sporting Clube de Portugal que conhecemos está em causa. Não há como negar esta evidência. O que nos fez ser do Sporting, quem nos fez ser do Sporting, é maior, é mais importante, vale mais, vale muito mais, do que isto, do que estes, do que este estado de coisas cheio de equívocos, erros, episódios grotescos, vergonhas, ilegalidades, coisas mal explicadas, suspeitas, degradação de valores, perda de referências. E é pelo Sporting que aprendemos a amar, o Sporting com mais de um século de lendas para contar, é pelo Sporting que queremos preservar, que amanhã “vamos todos a jogo”.

É um dever cívico, é um dever que temos para com aqueles que já não estão entre nós e que nos fizeram ser do Sporting, mas é também um imperativo moral que transcende o próprio Sporting. Passou a ser uma questão nacional quando uma das maiores instituições do país está sujeita a uma das maiores humilhações e demonstrações de desnorte e insanidade, refém do despotismo, refém de interesses pessoais, refém de um projecto de poder doentiamente pessoal. Passou a ser uma questão nacional quando no seio do clube, em pleno século XXI, num país democrata e que muito lutou pela conquista da liberdade, há delito de opinião, há perseguições e ameaças a sócios, há estigmatizações e rótulos indignos a sócios em razão do que pensam e dizem, há uma cultura de ódio e de divisionismo que acicata o fanatismo, que alimenta o oportunismo e aniquila a razoabilidade e o bom senso.

A vida não se esgota nos direitos. Temos deveres.

Sempre que escutamos em Alvalade “O Mundo Sabe Que” há uma corrente de energia limpa que nos liga a todos. Nesse momento, quem está no relvado, nas bancadas, sente, sente a força do Sporting, sente o espírito de Alvalade e há algo de mágico que nos leva mais além, que nos empurra e faz acreditar. E quando, de cachecóis e bandeiras ao alto, tantas vezes comovidos, cantamos: “Farei o que puder pelo meu Sporting”, renovamos os nossos votos, fazemos, uma vez mais, o nosso juramento perante o Sporting com quem crescemos. Amanhã é o dia. Amanhã é o dia de cumprirem aquilo que juraram, amanhã é o dia de fazerem o que puderem pelo vosso Sporting. Amanhã, mais do que nunca, o Sporting precisa de cada um de vós, de cada um de nós.

O Sporting que nos faz rir e chorar, não é deste ou daquele, não é de ninguém, porque é nosso, porque é de todos nós. Amanhã vamos provar isso ao país e daremos um exemplo, um exemplo de coragem e de decência, um exemplo de civismo e de cultura democrática. Daremos um exemplo ao país e a muitas outras instituições, pois o Sporting é dos seus associados e são os seus associados que resolvem os seus problemas, que definem o destino do Sporting. Clarifiquemos, acabemos com este lamaçal. E depois que haja eleições livres e democráticas e estes, que lá estão agora chefiados por Bruno de Carvalho, que venham a votos, porque são os sócios que decidem e não há que temer a vontade dos sócios.

E amanhã, quando saírem de vossas casas, sintam-se orgulhosos, sintam-se dignos, porque estarão – verdadeiramente – a fazer o que podem pelo vosso Sporting, porque, talvez como nunca antes precisou, o Sporting precisa agora, e muito, de cada um de vós.

E daqui por muitos anos, quando contarem aos vossos filhos, aos vossos netos, o que fizeram pelo vosso Sporting, recordarão o dia em que lhe devolveram a liberdade ao Sporting.  Sporting acima de tudo.

Frederico Varandas é sócio nº 8808 do Sporting Clube de Portugal