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Atentados de Paris

Resposta da extrema-direita: Pena de morte, fechar fronteiras e lutar contra o multiculturalismo

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O ataque ao jornal Charlie Hebdo levou a reações dos partidos de extrema-direita e eurocéticos da Europa. Marine Le Pen quer referendo sobre pena de morte. Farage critica multiculturalismo.

AFP/Getty Images

O regresso da pena de morte, fechar fronteiras e banir o Islão. Esta é a resposta um pouco por toda a Europa dos partidos de extrema-direita que nos últimos meses têm vindo a ganhar cada vez mais apoio popular. Marine Le Pen defende um referendo que permita trazer de volta a pena capital em França, Nigel Farage, do partido eurocético UKIP, diz que se “deve controlar quem vem viver no nosso país”, enquanto Geert Wilders, líder do Partido da Liberdade holandês, defende que a Holanda e outros países europeus devem fechar as fronteiras à imigração vinda de países muçulmanos.

Marine Le Pen, líder da Frente Nacional, disse esta manhã em entrevista à televisão France 2 que “os islamitas abriram guerra contra França” e que o modo de vida dos franceses foi atacado, prometendo falar com o presidente François Hollande, para lhe transmitir que é preciso adotar “medidas mais fortes” para impedir outros ataques como o que foi levado a cabo contra a redação do Charlie Hebdo. Le Pen diz ainda “querer dar aos franceses a oportunidade de se pronunciarem sobre o regresso da pena de morte” através de um referendo e a título pessoal, a eurodeputada, defende que a pena de morte devia fazer parte do “arsenal penal” francês. A Frente Nacional não vai participar na manifestação que está a ser organizada pelas principais forças políticas para este sábado, depois da organização ter diz que o partido não é bem-vindo.

No Reino Unido, Nigel Farage, líder do UKIP, defende que há no país, tal como em França, “uma quinta coluna”, ou seja, um grupo pequeno que se infiltra num grupo maior, de modo a derrubá-lo por dentro. “Temos pessoas que vivem nos nossos países, que têm os nossos passaportes e odeiam-nos. Temos sorte por serem poucos, mas o multiculturalismo tem vindo a encorajar estas divisões na sociedade”, referiu o eurocético em entrevista ao canal de televisão Channel4. Ainda a propósito do ataque que vitimou 12 pessoas em França, Farage voltou a mostrar uma das suas principais bandeiras políticas “defendendo que deve haver controlo nas políticas de imigração” e “verificar toda a gente que entra em território britânico” de forma mais meticulosa, independentemente da proveniência das pessoas.

Também Geert Wilders, líder do Partido da Liberdade holandês e opositor à comunidade muçulmana no seu país, defende que as fronteiras devem ser fechadas e que os Acordos de Schengen, que permitem a uma comunidade países a livre circulação de pessoas, devem ser suspensos. “Ninguém pode negar a verdade, é o Islão que inspira estes homicídios de todas as vezes. É Maomé, apelidado de profeta, e o Corão”, afirma Wilders, dizendo que nada foi feito nos últimos anos, defendendo a “desislamização” dos países europeus. As sondagens mais recentes apontam que o Partido da Liberdade podia ter 23 lugares no parlamento holandês nas próximas eleições, ficando assim em terceiro lugar.

Já os organizadores das marchas contra a islamização na Alemanha, o movimento PEGIDA, disse na sua página oficial de Facebook que avisou sobre estes perigos, mas “os governos não quiseram ouvir”. Promete ficar em silêncio até segunda-feira, o dia das habituais marchas contra o Islão um pouco por toda o país. Em Portugal, o PNR, partido de extrema-direita, também veio defender que “é urgente conter a vaga migratória de muçulmanos para a Europa”, na sua página oficial na Internet.

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