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Ciência

Calma, o mundo não vai acabar em setembro. Palavra da NASA

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Depois dos boatos que corriam na internet dizendo que o impacto de um asteroide destruiria o planeta no final de setembro, a NASA veio dizer que não passa disso mesmo, boatos.

Para ser potencialmente perigoso, o asteroide tem de ter mais de 150 metros de diâmetro

Don Davis/NASA

Uma série de códigos bíblicos e pretensas profecias parecem apontar para o “fim do mundo”, no final de setembro. A queda de um asteroide, terramotos e maremotos. O bulício na internet foi tal que a agência espacial norte-americana (NASA) se viu obrigada a esclarecer a situação. Não, não se prevê que caia nenhum asteroide com capacidade de destruir a Terra nos próximos cem anos.

As teorias são muitas. Um par de padres evangelistas anunciaram que no dia 28 de setembro se vão suceder uma série de terramotos que vão arrasar o planeta, tudo porque é a quarta lua de sangue em dois anos e desde a última, em abril de 2015, vão passar exatamente seis luas cheias, cita o site britânico Express. Sem dúvida uma boa publicidade para o livro de profecias que querem vender.

Outros afirmam que um asteroide capaz de eliminar a Terra do sistema solar vai embater no planeta azul entre 15 e 28 de setembro. Dizendo mesmo que vai cair na zona de Porto Rico, destruindo as costas do Golfo do México e atlânticas dos Estados Unidos e México, mas também da América Central e do Sul, resume a NASA. “Deus mostrou-me que um grande calhau, um asteroide, vai entrar no espaço aéreo Arecibo em Porto Rico, dirigindo-se para o mar”, alega o referendo Efrain Rodriguez, sem referir datas, citado no blogue oficial do Planetário Armagh, na Irlanda do Norte. “Os rumores tornaram-se virais – agora aqui estão os factos”, diz a NASA.

Não há nenhuma base científica – nem um pingo de evidência – que um asteroide ou outro corpo celeste vai colidir com a Terra nessas datas”, disse Paul Chodas, responsável pelo gabinete da NASA de Objetos Próximos da Terra (NEO, Near-Earth Object), no Laboratório de Propulsão a Jato em Passadena (Califórnia). “Se houvesse algum objeto grande o suficiente para causar esse tipo de destruição em setembro, já teríamos visto alguma coisa por esta altura.”

O programa NEO estuda os asteroides e outros corpos celestes em trânsito no sistema solar, determinando o tamanho, prevendo as trajetórias e estimando a possibilidade de colisão com a Terra. Aliás, este programa de observações refere que a probabilidade de um Asteroide Potencialmente Perigoso cair na Terra é 0,01% nos próximos 100 anos. Tirando os meteoros que vão entrando na atmosfera terrestre e se vão mostrando como “estrelas cadentes”, os especialistas da NASA não esperam que outros astros venham cair na superfície do planeta.

Um asteroide define-se como “potencialmente perigoso” se tiver mais de 150 metros em diâmetro e se passar a menos de 0,05 unidades astronómicas da Terra (cerca de 7,5 milhões de quilómetros). A NASA refere que existem 1.605 objetos deste tipo identificados, mas lembra que “ter o potencial para passar próximo da Terra não significa que vai colidir com o planeta”. O acompanhamento destes objetos permite fazer previsões cada vez mais apuradas.

A agência espacial norte-americana está habituada a este tipo de rumores e não acredita que se fiquem por aqui, por muito que tentem explicar o que as observações científicas mostram. Em comunicado, a NASA lembra que no ano de 2011 os rumores diziam que o cometa Elenin acabaria com a Terra, mas antes que isso pudesse acontecer fragmentou-se em pequenos pedaços no espaço. E certamente também se lembra que o calendário Maia previa que o mundo acabasse a 21/12/2012 devido ao impacto de um asteroide, mas afinal ainda não acabou.

Já este ano, os asteroides 2004 BL86 e 2014 YB35, que passaram próximos da Terra em janeiro e março, respetivamente, foram “acusados” de serem perigosos para a Terra. “Mas a passagem deles pela Terra decorreu sem incidentes – tal como a NASA disse que aconteceria”, reforça a agência.

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