Presidente do Eurogrupo

“Não se pode gastar em mulheres e álcool e, depois, pedir ajuda”, diz presidente do Eurogrupo

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"Não se pode gastar em mulheres e álcool e, depois, pedir ajuda". Envolto em polémica, o presidente do Eurogrupo não pede desculpa pela imagem que utilizou para falar de solidariedade europeia.

OLIVIER HOSLET/EPA

“Como social-democrata, considero a solidariedade um valor extremamente importante. Mas também temos obrigações. Não se pode gastar todo o dinheiro em mulheres e álcool e, depois, pedir ajuda“. A tirada colocou o presidente do Eurogrupo, o holandês Jeroen Dijsselbloem, no centro da polémica — e foi confrontado, no Parlamento Europeu, por eurodeputados que viram na declaração um “insulto” aos países do Sul da Europa. Dijsselbloem recusa que tenha tentado “ofender quem quer que seja”, mas não irá “pedir desculpa” pela declaração.

Foi em declarações citadas pela imprensa espanhola, originalmente dadas ao jornal alemão FAZ, que Dijsselbloem discorreu sobre como “durante a crise do euro, os países do Norte mostraram solidariedade para com os países afetados pela crise”. Continuando, o ministro das Finanças holandês (cujo partido sofreu uma derrota pesada nas eleições da semana passada), equiparou a situação dos países que necessitaram de ajuda europeia a quem esbanja dinheiro — logo em “mulheres e álcool” — e, depois, quer ter assistência financeira sem que isso envolva responsabilidades.

Dijsselbloem foi confrontado por eurodeputados em Bruxelas, numa sessão no parlamento europeu, com as declarações dadas ao FAZ. O holandês garantiu que não irá pedir desculpa pelos comentários, recusando que tenham sido uma alusão aos países do Sul da Europa. Apesar de ter sido considerado “insultuoso” e “mal-educado” por alguns eurodeputados, o holandês defendeu-se explicando que o que está em causa é a “solidariedade” entre os países — essa solidariedade só pode existir se os países respeitarem as regras orçamentais europeias.

“A ideia de que, quando estou a pedir rigor no cumprimentos das regras e a levá-las a sério, isto é um ataque é um erro enorme”, afirmou Dijsselbloem, citado pelo Financial Times. O holandês continuou a explicação: “Não é suposto ficarem ofendidos — não foi uma declaração sobre um qualquer país mas, sim, sobre todos os países. A Holanda também falhou com o cumprimento das regras. Não vejo um conflito entre as regiões do grupo do euro”.

Apesar destas explicações, Dijsselbloem não se livrou de fortes críticas vindas, sobretudo, da bancada espanhola (Luis de Guindos é candidato a suceder a Dijsselbloem). O eurodeputado Ernest Urtasun considerou a declaração “infeliz”. “Talvez tenha piada para si, mas eu não acho que tenha piada”. Outro espanhol, Gabriel Mato, também citado pelo FT, diz que a declaração mostra que o holandês não tem a “neutralidade” necessária para exercer o cargo.

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