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O seu filho conduz bem? Então ponha os olhos neste

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Os miúdos tradicionalmente adoram carros e conduzir, muitos deles revelando já com tenra idade um jeito que envergonha muitos adultos. Como é o caso de Kalle Rovanperä, que já dava cartas aos 8 anos.

Autor
  • Alfredo Lavrador

O seu petiz gosta de conduzir e tem jeito para a coisa? Então não perca tempo em jogos de computador ou PlayStation e avance directamente para os carros de competição. Este parece, pelo menos, ter sido a receita do ex-piloto de ralis Harri Rovanperä, para o pequeno filho Kalle. E está a resultar que nem uma maravilha.

O pequeno Kalle gosta de “coisas” com motor desde a fase em que ainda mal sabia andar. O facto de o pai ser um ex-piloto do Campeonato do Mundo de Ralis e serem ambos naturais de Jyväskylä, uma pequena cidade finlandesa que é o berço do rali local a contar para o Mundial, também ajuda. Nesta região, coberta de neve e gelo durante uma boa parte do ano, para nos restantes meses estar rodeada de estradas de terra largas e escorregadias, conduzir todo atravessado de umas curvas para as outras é uma habilidade que a maioria da população domina como ninguém. Não é por acaso que nasceram por aqui os melhores pilotos de ralis da Finlândia, e até do mundo.

Kalle Rovanperä, como a maioria dos outros miúdos de Jyväskylä, sempre acompanhou de perto os ralis e, em especial, a carreira do pai que, no Mundial de Ralis, foi piloto da Seat, Toyota, Peugeot , Mitsubishi e Skoda, tendo vencido o Rali da Suécia em 2001, em Peugeot 206 WRC, e foi 4º no Rali de Portugal de 2000, aos comandos de um Toyota Corolla WRC. Mas ao pôr fim à sua carreira nos ralis em 2006, Harri dedicou-se a fazer a vontade à criança, na altura com apenas 6 anos, mas cada vez mais fascinada por aquele que é um desportos mais acarinhados no país dos Mil Lagos.

Para Harri, não fazia sentido adquirir uma PlaySation com kit de bacquet, pedais e volante, daqueles mais sofisticados que já vibram e se inclinam, como se estivéssemos num carro à séria. O ex-piloto optou por algo mais barato e muito mais divertido, e comprou um velhinho Toyota Starlet de tracção traseira, um modelo de segunda geração, o P60, que se fabricou até 1999 e que é muito utilizado naquela região para apreender a conduzir de forma mais acrobática.

Em 2008, com 8 anos, o pequeno Kale Rovanperä já estava mais que feito à condução do Starlet e estreou-se num rali para júniores, revelando um à vontade tão impressionante quanto a maturidade de que dava provas, com tão tenra idade.

Nasceu uma estrela

Aos 13 anos, Kalle saltou do Starlet para um Citroën C2 Max, da categoria R2 com motor 1.6 e apenas duas rodas motrizes, já um verdadeiro carro de ralis, mas de uma fórmula relativamente acessível e aconselhável para quem começa nestas andanças. É que Harri tem de ter o máximo cuidado na forma como gere a carreira do seu rebento, pois não só ele é filho único, como o pai sabe bem que, neste tipo de competição, os acidentes estão garantidos e nem sempre acabam bem.

Depois do C2 veio o primeiro carro de ralis como deve ser, um Skoda Fabia R5, já com quatro rodas motrizes, daqueles que disputam o Campeonato da Europa de Ralis. Nas mãos do jovem Kalle, agora já com uns respeitáveis 15 anos, o Skoda permitiu-lhe comparar-se com os “meninos” mais velhos, os pilotos consagrados. Primeiro, porque o Rovanperä mais novo rumou à Letónia, país onde é possível correr em ralis com apenas 15 anos e depois porque logo na prova de estreia, Kalle não só venceu o rali com mais de um minuto de avanço, como foi igualmente o mais rápido em todas as classificativas.

É claro que, ainda assim, a situação tem algo de caricato, pois Kalle apenas pode conduzir nos troços cronometrados – em que a estrada está fechada ao público –, pois nas ligações tem de ser o seu navegador, Risto Pietiläinen (que já fazia ralis ao lado de Harri) a passar para o volante. Aliás, até para treinar e como Risto tem de anotar as notas ditadas por Kalle, tem de ser o pai Harri a assumir o volante, com Kalle ao seu lado e Pietiläinen no banco de trás.

A estreia nos WRC correu bem, como seria de esperar

Ainda com 15 anos, Kalle teve a oportunidade de conduzir os primeiros carros de WRC da sua ainda curta existência. Começou por pilotar a convite de Tommi Mäkinen (curiosamente o homem dá pelo nome de Tommi Antero Mäkinen, haverá algum português metido ao barulho?), o responsável pela presença da Toyota no Mundial de Ralis, o novo Yaris WRC quando ainda estava na fase de testes, em meados de 2016.

Como se isso se isso não bastasse, o jovem finlandês foi convidado a participar no Memorial Attilio Bettega, onde teve ocasião de não só pilotar o Ford Fiesta WRC e o Citroën DS3 WRC, como de medir meças contra pilotos consagrados de topo, caso de Elfyn Evans (oficial da Ford para o WRC e ERC) e Paolo Andreucci, um experiente piloto italiano que já militou no WRC e que agora disputa o campeonato italiano em R5, competição de que já se sagrou campeão em nove ocasiões. Kalle Rovanperä ganhou a toda a gente e foi disputar a final com Evans que, num carro que ajudou a desenvolver, bateu o piloto nórdico, que é bom recordar, ainda não tem carta de condução.

2017 arrancou como um ano em cheio

Na presente época, ainda com 16 anos (só cumpre os 17 em Outubro), Kalle tem um calendário muito ocupado, isto apesar do pai fazer questão em que ele avance nos estudos à mesma velocidade com que descreve as curvas nas classificativas. Mercê de uma excepção da federação finlandesa, a jovem promessa está agora a disputar os ralis na sua terra natal, a que alia o campeonato lituano, mantendo-se fiel ao Skoda Fabia R5. E, como não podia deixar de ser, venceu já três dos ralis em que participou, o Alüksne e o Sarma na Litónia, e o Vaakuna mesmo à porta de sua casa, na Finlândia.

Mas o pai Harri é um especialista em ralis, pelo que está consciente que o reino dos finlandeses nesta modalidade terminou com a chegada em força dos pilotos franceses, mais à vontade com os carros novos do que o que estavam com os antigos, sobretudo por serem mais rápidos a conduzir em alcatrão. Assim, para adaptar Kalle à nova realidade, fez o pequeno prodígio assinar pela Peugeot Itália, onde está a disputar o campeonato transalpino em 208 Turbo R5. E a revelar um andamento muito bom para um nórdico, que nunca foram grandes referências a guiar em asfalto seco. Basicamente, porque é coisa que raramente encontram nos seus países, sobretudo com curvas.

E o futuro?

Tommi Mäkinen, que gere a Toyota Gazoo Racing, e que foi por quatro vezes consecutivas Campeão Mundial de Ralis (de 96 a 99 e sempre em Mitsubishi) já afirmou ter um lugar à espera de Kalle. Mas como a FIA não trata os Ralis como a F1 (onde permitiu que Max Verstappen se estreasse aos 17 anos), tudo indica que o jovem vai continuar a rodar até fazer os 18, o que só acontecerá no primeiro dia de Outubro do próximo ano.

À proposta de Mäkinen, Kalle pode juntar outra de Malcolm Wilson, que rege os destinos da Ford e que já afirmou que poderá sempre arranjar-lhe um lugar no WRC, se o miúdo continuar a evoluir como até aqui.

O mais notável em Kalle é, além da rapidez, a ausência de toques e de erros, uma vez que o jovem raramente sai da estrada e, se bem que já tenha capotado e partidos umas suspensões, são sempre coisas ligeiras. Como convém.

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