Vinho

Barca Velha 1955. Afinal havia outra (colheita)

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Até agora era um mistério: que garrafas eram aquelas que, sendo do ano 1955, mostravam no rótulo o tão cobiçado nome? O enólogo do mítico vinho acaba de confirmar: há mais um ano de Barca Velha.

© André Ribeirinho

Desde maio do ano passado, com o anúncio do Barca Velha 2008, que a frase se repetia: em 64 anos de vida, 18 colheitas. Chegado 2017, mais um ano se acrescentaria à já longa vida do mítico vinho mas nunca uma colheita, com o vinho de mesa do Douro a nascer apenas em anos tidos como excecionais (ou seja, anos que reúnem condições ideais). O inesperado aconteceu e o ano que até agora permanecia um mistério foi finalmente confirmado: 1955 também é ano de Barca Velha.

A confirmação foi dada por quem melhor conhece o vinho, originalmente criado por Fernando Nicolau de Almeida. Falamos de Luís Sottomayor, o terceiro enólogo a trabalhar o Barca Velha, que garantiu a 19ª edição do vinho ao Expresso, agora confirmada pelo Observador:

Reconhecemos que realmente existiu mais uma colheita de Barca Velha. Apareceram algumas garrafas e, depois de uma procura exaustiva, encontrámos algumas saídas do ano 1955″.

O vinho discreto do ponto de vista comercial, por nunca ter entrado nesse circuito, começou por ser um verdadeiro mistério quando, há dois anos, uma primeira garrafa apareceu em Lisboa, com a safra correspondente. Em 2016, outros rótulos idênticos foram avistados. Sottomayor recorda que, ao olhar para as garrafas que, à data, esquentaram as temperaturas na Invicta, nada lhe fazia crer que não fossem verdadeiras.

No Arquivo Histórico da Casa Ferreirinha, porventura um dos maiores do setor em Portugal e onde a organização é exímia, a equipa responsável por esta profunda investigação recolheu mais de 30.000 documentos para análise meticulosa. Da seleção acima referida resultou a identificação de um conjunto de documentos, os quais permitiram apurar que o enólogo Fernando Nicolau de Almeida definitivamente registou a oferta e venda de uma quantidade muito limitada de garrafas de Barca Velha 1955. Sabe-se ainda que as ofertas registadas foram endereçadas a familiares, amigos e alguns nomes sonantes da sociedade portuguesa à época, como Embaixadores, Cônsules e Empresários”, disse ao Observador fonte da Sogrape, que detém a Casa Ferreira desde 1987.

Colocada a pergunta — haveria ou não mais uma colheita do vinho predileto de Fernando Nicolau de Almeida? –, foi iniciada uma investigação demorada ao “arquivo muito extenso”. “Tivemos uma pessoa que se dedicou 100 por cento a isto. Foram dois meses à procura de guias de remessa no arquivo”, conta o enólogo que, recentemente, viu a colheita de 2008 receber a nota máxima na revista da especialidade Wine Enthusiast.

A decisão de reconhecer o ano 1955 — que deverá cumprir o mesmo rigor das outras colheitas, caso contrário, acredita Sottomayor, Fernando Nicolau nunca o teria declarado — aconteceu “agora”, com a primeira referência ao vinho a surgir há coisa de um mês. Ainda há perguntas que precisam de respostas e a investigação continua em aberto. Mas neste “agora” já se fez história: afinal, havia mais uma colheita.

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