Elétricos

Dinamarca. Sem incentivos, eléctricos caem a pique

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O fim dos incentivos à aquisição de veículos eléctricos na Dinamarca ditou uma queda das respectivas vendas de 60,5% no primeiro trimestre de 2017. Em contraste com quase toda a União Europeia.

A Tesla foi uma das marcas mais afectadas pela nova política dinamarquesa. Depois de ter dominado o segmento com o Model S, na imagem, vendeu 176 automóveis o ano passado. Em 2015 tinha aí registado 2.738 unidades vendidas

Autor
  • António Sousa Pereira

Os países nórdicos têm sido encarados como pioneiros na adopção de um novo paradigma da mobilidade, tanto pelas preocupações ambientais demonstradas pelas respectivas populações, como pela sua adesão, verdadeiramente única, aos automóveis de propulsão (total ou parcialmente) eléctrica. Mas a verdade é que os escandinavos acabam por parecer não ser tão menos sensíveis do que os povos de outras latitudes a factores prosaicos.

Veja-se o caso da Dinamarca, um dos líderes mundiais no domínio da energia eólica e que, já desde o início dos anos de 1980, tem vindo a tentar impor no seu território os automóveis eléctricos. Só em 2015 foram comercializados naquele país 5.298 veículos eléctricos, ou seja, mais do dobro do que em Itália, apesar da população transalpina ser mais de 10 vez superior à dinamarquesa.

O problema é que desde que as autoridades dinamarquesas decidiram, no início deste ano, deixar de isentar na totalidade os veículos eléctricos recarregáveis (100% eléctricos e híbridos plug-in) do imposto de importação de 180% que sempre incidiu sobre os automóveis movidos por motores térmicos, as respectivas vendas, no primeiro trimestre de 2017, caíram nada menos do 60,5% face a idêntico período do ano passado. Dados fornecidos pela associação europeia do sector (ACEA) e que contrastam com o aumento de 80% registado na vizinha Suécia (onde também são fortemente subsidiados), ou com a subida de 30% verificada na União Europeia como um todo.

Estes dados parecem indicar também que os automóveis movidos por energias “limpas” ainda não são, por si só, suficientemente apelativos e competitivos para vingar no mercado, mostrando-se absolutamente dependentes deste género de incentivo. Como sublinhou a responsável máxima pela Danish Electric Car Alliance, Laerke Flader, citada pela Bloomberg, o novo regime fiscal “matou por completo o mercado – o preço, realmente, importa”.

Tanto assim é que o próprio Executivo dinamarquês decidiu rever os seus planos, e redefinir os prazos para a eliminação dos vários subsídios e incentivos fiscais aplicáveis aos veículos eléctricos. Inicialmente estava previsto que, a partir de 2020, os eléctricos recarregáveis fossem tratados como qualquer outro tipo automóvel, mas em Abril foi anunciado que tal só acontecerá a partir de 2022.

Não obstante, a medida não terá tido ainda o efeito pretendido: a confusão gerada no consumidor terá levado muitos a cancelar as suas encomendas e a rever as suas intenções de compra, ao passo que os operadores também desinvestiram no país, devido à incerteza que se lhes depara nesta matéria. Uma das mais afectadas foi a Tesla, que já dominou o segmento no país com o Model S e que, depois das 2.738 unidades vendidas na Dinamarca em 2015, em 2016, após terem sido anunciadas as novas políticas fiscais, não vendeu por ali mais do que 176 carros.

Apesar de tudo, subsiste a esperança que as vendas de eléctricos recarregáveis na Dinamarca voltem a animar, agora que importadores e concessionários já têm autorização formal para voltar a anunciar os preços livres de impostos até que sejam vendidos 5.000 veículos deste género no período 2016-2018. Quanto tal acontecer ou, o mais tardar, a partir de Janeiro de 2019, estes pagarão 40% do imposto de matrícula menos uma redução de 1.300€ no primeiro ano, subindo tal imposto para 65% em 2020, para 90% em 2021, e para 100% em 2022.

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