Crédito à Habitação

Maioria dos novos créditos tem taxa de juro variável, mas a fixa ganha terreno

A grande maioria dos contratos de crédito à habitação continuou, em 2016, a ser feita a taxa de juro variável, mas aumentaram as preferências dos clientes pela taxa fixa, segundo o Banco de Portugal.

Quanto aos contratos de taxa variável, estes são, em geral, indexados à taxa Euribor

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

A grande maioria dos contratos de crédito à habitação continuou, em 2016, a ser feita a taxa de juro variável, mas aumentaram as preferências dos clientes pela taxa fixa, segundo o Banco de Portugal, que indica ainda uma subida expressiva dos reembolsos antecipados.

De acordo com o Relatório de Acompanhamento dos Mercados Bancários de Retalho de 2016, divulgado esta quinta-feira, o ano passado foram “celebrados 57.912 contratos de crédito à habitação num total de 5,5 mil milhões de euros”, um valor que representa mais 39,6% do que em 2015, ano em que já tinha havido um aumento significativo.

Quanto ao indexante escolhido pelos clientes, diz o Banco de Portugal que a maioria dos contratos (83,4%) foi feita com taxa de juro variável, uma redução ligeira face a 2015, quando os contratos com taxa de juro variável foram 89,5%.

Já a taxa mista no crédito à habitação (taxa que resulta da média entre uma taxa fixa e uma taxa variável) foi a opção dos clientes em 11,7% dos contratos celebrados. Quanto aos contratos a taxa de juro fixa, esses representaram, em 2016, 4,9% nos novos contratos, acima dos 2,5% do ano anterior.

Face a 2015, o número de contratos de crédito à habitação com este tipo de taxa cresceu 164,5% e o correspondente montante de crédito concedido 524,4%, muito acima do crescimento do mercado. Esta evolução foi acompanhada de um crescimento muito expressivo do montante médio por contrato, que subiu para 63.886 euros (27.058 euros em 2015)”, refere o Banco de Portugal no documento conhecido.

Ainda quanto aos contratos de taxa variável, estes são, em geral, indexados à taxa Euribor. Em 2016, a Euribor mais utilizada nos novos contratos de crédito foi a taxa a 12 meses, uma mudança face a 2015, quando o indexante mais frequente foi a Euribor a 6 meses.

Quanto ao spread médio (margem de lucro comercial) dos contratos a taxa de juro variável, afirma o Banco de Portugal que “diminuiu 33 pontos base, para 1,98 pontos percentuais”.

Apesar de em 2016 ter aumentado a nova produção de crédito à habitação, face a 2015, o valor global da carteira de crédito dos bancos que operam em Portugal diminuiu (de 90,5 mil milhões de euros em 2015 para 88,4 mil milhões de euros em 2016), o que segundo o Banco de Portugal se deve aos reembolsos antecipados e à chegada ao fim de muitos contratos.

Em 2016, foram realizados reembolsos antecipados em contratos de crédito à habitação no montante de 3,2 mil milhões de euros, mais 45,4% do que no ano anterior”, diz o banco central.

As taxas de juro fixas mantêm-se inalteradas durante o prazo acordado do empréstimo, ou em períodos parciais, como cinco ou dez anos, tempo durante o qual não mexem, pelo que é mais previsível a prestação a pagar pelo cliente.

A taxa de juro variável acompanha, ao longo da vida do contrato, a evolução do respetivo indexante, que no caso do crédito à habitação é normalmente a Euribor a 12 ou a 6 meses. Com a taxa de juro variável, o valor da prestação é revisto regularmente, em função da evolução do indexante.

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