Autárquicas 2017

A campanha dos líderes. Costa de vez em quando, Passos a toda a hora

Nas primeiras eleições a envolver partidos desde que a geringonça é geringonça, a agenda do primeiro-ministro vai condicionar a do líder do PS em campanha. Já no PSD, Passos será presença constante.

O período oficial de campanha autárquica está a dias de arrancar e vai ter os líderes dos dois maiores partidos no terreno, ainda que com diferentes níveis de participação. Com uma eleição decisiva pela frente, Pedro Passos Coelho estará na estrada com mais do que uma ação de campanha por dia, já António Costa vai dividir-se entre a liderança do partido e a liderança do Governo: nas próximas duas semanas, o primeiro-ministro tem duas deslocações para fora do país, pelo que vai fazer sobretudo campanha noturna e de fim de semana.

Costa vai fazer por marcar presença nos palcos decisivos para o partido nestas autárquicas, em todos os distritos do país, mas a medida das deslocações também será aquela que a agenda do primeiro-ministro permitir — e nesta consta uma deslocação a Bruges, Bélgica, para fazer o discurso de abertura do ano académico do Colégio da Europa, e ainda outra a Nova Iorque, na próxima semana, durante quatro dias. Assim, o PS viu-se forçado a centrar as participações do seu líder em comícios à noite mais perto de Lisboa e nos fins de semana. Por exemplo, no próximo estará a norte e interior do país (por Bragança, Viseu e Covilhã) e no fim de semana seguinte vai dedicar-se a ações de campanha no Algarve e Alentejo.

Além destes momentos, o socialista vai também estar em comícios noturnos do partido que aconteçam em dias úteis, como fez na última passada — e já houve cancelamentos por causa da agenda de primeiro-ministro, caso do comício de Arruda dos Vinhos que foi desmarcado por causa da preparação de uma reunião de Costa com o Sindicatos dos Enfermeiros Portugueses. Ainda este sábado, em Barcelos, António Costa repetiu o objetivo do PS para estas autárquicas: reforçar a votação no partido para dar força ao Governo. Qualquer ato eleitoral acaba por ver os seus resultados analisados à luz do plano nacional e, se tirarmos do quadro as presidenciais, onde as listas que concorrem são uninominais e os partidos não podem apresentar candidaturas, estas serão as primeiras eleições desde que a “geringonça” é “geringonça”.

Mas se, de alguma forma, pode haver um teste a esta aliança, não é menos verdade o teste que estas eleições são à liderança de Pedro Passos Coelho. E o seu empenho na campanha será total. O líder do PSD já anda desde o dia 1 de setembro na estrada, e assim vai continuar. A comitiva social-democrata encabeçada por Pedro Passos Coelho tem-se dedicado nos últimos dias aos distritos do sul e interior, tradicionalmente mais afetos à esquerda, tendo reservado o norte para as duas últimas semanas de setembro — o chamado período oficial de campanha. Lisboa também estará na reta final, sendo que ainda está por decidir onde vão ser passados os três últimos dias antes da votação.

A ideia é “percorrer os distritos todos”, explicou aos jornalistas o deputado social-democrata Pedro Alves, que vai assumir funções de diretor de campanha durante a volta nacional do líder. A lógica — “zona sul primeiro, interior depois, norte depois” — foi pensada de forma a conjugar “as estratégias locais”. Ou seja, o líder do partido procurará estar presente nos locais onde os autarcas e candidatos o convidarem para estar, numa filtragem de convites que é feita pelas distritais do partido.

Num ritmo de campanha eleitoral, com uma média de duas ou três ações de campanha por dia, Pedro Passos Coelho estará assim muito presente no terreno numas eleições que não se adivinham fáceis para o PSD. Ao distrito de Lisboa, prevê-se que Passos vá pelo menos duas vezes nos próximos 15 dias, sendo presumível uma terceira vez já mesmo na reta final. Ao Porto (onde o PSD apoia o independente Álvaro Almeida) irá apenas uma vez, de acordo com o calendário já disponibilizado pela campanha, sendo que poderá fazer uma segunda visita nos três dias finais para os quais não há ainda agenda fechada.

De resto, Passos Coelho estará sobretudo em Viseu, Castelo Branco, Bragança, Vila Real, Braga, Aveiro e Leiria. Antes, já fez pelo menos uma paragem nos distritos de Setúbal, Faro e região Oeste, entre Lourinhã e Pombal. No início do mês tinha estado em Portalegre e Vila do Conde. Amanhã, quarta-feira, estará em Ferreira do Zêzere e Rio Maior, distrito de Santarém. Almada, por exemplo, onde Maria Luís Albuquerque é candidata à Assembleia Municipal, não está nos seus planos.

Pedro Passos Coelho tem dito em diversas ocasiões que não se demite da presidência do partido em função do resultado das eleições locais, mas a verdade é que as autárquicas de 1 de outubro poderão ser um teste de força à sua sobrevivência. É que depois do dia D dá-se início a um novo ciclo rumo ao congresso do PSD, que será no primeiro trimestre do ano. E arrumado o capítulo das eleições locais, muito importantes para o aparelho e para as estruturas, a máquina pode mesmo começar a mexer.

Artigo corrigido dia 15 de setembro. Por lapso referimos Arruda dos Vinhos em vez de Barcelos, cidade onde aconteceu o comício onde o líder do PS falou dos objetivos eleitorais do partido.

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Rui Ramos
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