Explicador

Afinal, porque não podem as mulheres ser padres?

Novembro 201603 Novembro 2016291
João Francisco Gomes

O que diz a Igreja Católica, oficialmente, sobre a ordenação de mulheres?

Pergunta 1 de 7

A Igreja Católica argumenta que não pode ordenar mulheres como sacerdotisas porque não tem sequer essa faculdade. Advoga que se limita a seguir a tradição começada por Jesus Cristo, que apenas escolheu homens como discípulos.

A posição da Igreja relativamente a este assunto está formalizada numa carta apostólica de 1994, assinada pelo Papa João Paulo II. Neste documento, intitulado Ordinatio Sacerdotalis, o Papa define que “esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja”.

O documento cita uma outra declaração, aprovada pelo Papa Paulo VI em 1976, onde são apresentados seis argumentos para impedir o acesso das mulheres àquele sacramento:

  1. A tradição da Igreja, que foi sempre mantida “de tal maneira firme” que nunca foi contestada. “Todas as vezes que esta tradição teve oportunidade para se manifestar, ela deu testemunho da vontade da Igreja de se conformar com o modelo que o Senhor lhe havia deixado”, lê-se no documento.
  2. A atitude de Jesus Cristo, que não chamou nenhuma mulher para o grupo dos apóstolos.
  3. A prática dos apóstolos que, apesar de reservarem um “lugar privilegiado” para Maria, sempre se mantiveram fiéis “à atitude de Jesus”.
  4. O “valor permanente da atitude de Jesus e dos apóstolos”. Isto é, as atitudes de Jesus não podem ser desligadas atualmente do comportamento da Igreja. Segundo a declaração de 1976, a prática “é seguida assim porque é considerada conforme com os desígnios de Deus sobre a sua Igreja”.
  5. O padre atua in persona Christi, o que quer dizer que age “na pessoa de Cristo”. Por isso, argumenta a Igreja, “não se pode transcurar o facto de que Cristo é um homem”, o que significa que “o seu papel há de ser desempenhado por um homem”. Ainda assim, recorda o documento, “isto não depende de haver neste último superioridade alguma pessoal na ordem dos valores, mas tão-somente de uma diversidade de facto, ao nível das funções e do serviço”.
  6. Em última análise, a escolha é de Deus e não do homem, segundo a explicação oficial do Vaticano. Mais do que isso, “o sacerdócio não é conferido para honra ou para simples vantagem daquele que o recebe; mas sim para ser um serviço a Deus e à Igreja”, lê-se no documento.

Só mais um passo

Ligue-se agora via

Facebook Google

Não publicamos nada no seu perfil sem a sua autorização. Ao registar-se está a aceitar os Termos e Condições e a Política de Privacidade.

E tenha acesso a

  • Comentários - Dê a sua opinião e participe nos debates
  • Alertas - Siga os tópicos, autores e programas que quer acompanhar
  • Guardados - Guarde os artigos para ler mais tarde, sincronizado com a app
  • Histórico - Lista cronológica dos artigos que leu unificada entre app e site