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Explicador

PSOE sem líder. PP cauteloso à espera dos socialistas. E governo?

05 Outubro 2016
Milton Cappelletti

A crise no PSOE significa que haverá novo governo em Espanha?

Pergunta 1 de 10

A demissão de Pedro Sánchez da liderança do PSOE, este sábado, após fracassar na proposta de realizar primárias para a escolha de secretário-geral, evidenciou a crise interna do partido. Na última quinta-feira, 17 membros do comité executivo já tinham pedido demissão para forçar a saída de Sánchez. Nas eleições regionais, em setembro, o partido obteve os piores resultados de sempre na Galiza e mínimos históricos no País Basco, o que motivou críticas à liderança de Sánchez.

Atualmente, o PSOE é liderado por uma comissão gestora dirigida por Javier Fernández, do PSOE das Astúrias, e composta, sobretudo, por membros opositores de Pedro Sanchéz. A comissão vai permanecer à frente do partido até à realização de eleições primárias. Até à eleição de um novo líder, caberá ao comité federal — constituído por quase 300 membros e que é o órgão máximo entre congressos — decidir o sentido de voto do partido numa eventual nova investidura de Mariano Rajoy, do PP.

Numa conferência de imprensa, esta segunda-feira, Javier Fernández reconheceu que “a pior solução é disputar eleições; para o PSOE e para o país”, mas ressalvou que “uma abstenção não é o mesmo que um apoio” a um eventual governo de Rajoy.

Fernández explicou que, antes da decisão final, o assunto será discutido com os barões do partido, numa reunião do Conselho de Política Federal, órgão formado pelos líderes territoriais do PSOE e presidido por Susana Díaz, uma das maiores opositoras de Pedro Sánchez. Daqui sairá uma primeira indicação do sentido de voto, que terá depois de passar pelo crivo do comité federal.

“Neste momento, qualquer solução para o problema da governabilidade em Espanha passa pelo PSOE. E é um problema para o PSOE. É evidente que o PSOE tem um problema e assume um desgaste com uma decisão que terá de tomar”, defendeu Fernández, citado pela EFE.

Segundo relata o jornal El Mundo, os presidentes de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page, e da Comunidade Valenciana, Ximo Puig, já avançaram que rejeitam a abstenção do PSOE para que o PP governe.

No sentido oposto, a maioria dos deputados do grupo parlamentar socialista manifestou-se esta terça-feira pela abstenção na votação da investidura e assim deixar passar um governo liderado pelo PP. Dos 26 que tomaram a palavra na reunião do grupo parlamentar, apenas três se mostraram contrários ao “apoio” do PSOE a um governo liderado por Rajoy ou por qualquer outro líder do PP.

A data limite para a formação de um novo governo é 31 de outubro, quando o rei Felipe VI terá de dissolver o parlamento nacional e convocar novas eleições — que, segundo a Constituição, seriam a 25 de dezembro.