O HIV foi a segunda principal causa de morte entre os adolescentes em 2012, revela um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgado esta quarta-feira. Em 2000, o HIV nem sequer fazia parte da tabela de causas mais frequentes. E a tendência é para crescer.

Em 2012, morreram cerca de 1,3 milhões de adolescentes em todo o mundo, um decréscimo de cerca de 12% face a 2000, quando se registaram 1,5 milhões de mortes. Os acidentes rodoviários são a principal causa de morte.

De acordo com o relatório “Saúde para os adolescentes no mundo”, o aumento de mortes relacionados com o vírus da SIDA teve predominância em África, contrariando a tendência desse continente de redução de mortes nas outras faixas etárias. Os adolescentes são definidos pela OMS como os indivíduos com idades entre os 10 e os 19 anos, estimando a organização que existam 1,2 mil milhões em todo o mundo.

Os dados relativos às mortes relacionadas com a SIDA têm uma “considerável incerteza”, admite a OMS, mas terão sido pouco menos de 100 mil adolescentes a morrer com esta doença, que afeta de modo semelhante homens e mulheres.

O decréscimo verificado entre 2000 e 2012 traduziu-se igualmente na redução da taxa de mortalidade de 126 por cada 100 mil indivíduos para 111 por cada 100 mil. Apesar da descida, certas regiões do planeta verificaram um aumento, mais expressivo em África, onde as mortes adolescentes representaram 43% do total.

África, contudo, regista um fator positivo: as mortes relacionadas com complicações na gravidez e no parto diminuíram 37% em relação a 2000, acompanhando a tendência mundial de decréscimo. Ainda assim, na faixa etária entre os 15 e os 19 anos, este tipo de complicações continua a ser a segunda principal causa de morte entre as raparigas, um valor “superado apenas pelo suicídio”, pode ler-se.

No que diz respeito às doenças com impacto na esperança e qualidade de vida (deficiências), os problemas relacionados com a depressão são os mais frequentes, tendo aumentado desde 2000, quando eram já a principal doença. Também aqui, os acidentes rodoviários têm preponderância, ocupando o segundo lugar das causas mais frequentes para ferimentos permanentes.

Os hábitos dos adolescentes também trazem preocupação à OMS. Segundo o relatório, menos de um em cada quatro indivíduos atinge os níveis recomendados de atividade física e um em cada três tem problemas de obesidade. Por outro lado, o consumo de tabaco está a diminuir e mais de metade dos adolescentes inquiridos garantiu usar preservativo nas relações sexuais.