As taxas de inflação previstas no início do programa eram, de alguma forma, estáveis, com exceção de 2011, em se previa que os preços crescessem acima de 2%. A estabilidade retomaria logo em 2012 e, daí em diante, até 2014.

No entanto, a realidade desta vez chocou com as medidas de austeridade aplicadas pelo Governo, em especial na área dos impostos, que acabaram por criar uma subida de preços administrativa que teve um grande efeito nos anos restantes do programa.

Em 2011, esperava-se que a taxa de inflação fosse de 2,3% mas acabou por terminar o ano nos 3,6%, em parte influenciada pela subida dos preços da eletricidade e gás natural decretados por Vítor Gaspar para tentar corrigir as contas desse ano.

Em 2012, o Governo decidiu fazer substanciais mudanças nas taxas do IVA e muitas categorias de produtos que se encontravam sujeitos às taxas reduzida (6%) e intermédia (13%) passaram para a taxa normal (23%), criando um aumento considerável dos preços, sendo o mais polémico deles o caso da restauração, que passou de 13% para 23%. O resultado foi um desvio para mais do dobro da inflação prevista desse ano. Em vez dos 1,3% previstos, terminou o ano nos 2,8%

Em 2013 e 2014, o efeito é o inverso. Por via, em grande parte, deste aumento de base nos dois primeiros anos em que a ‘troika’ esteve em Portugal, mas também de um clima de baixa inflação na zona euro, o crescimento de preços ficou muito aquém do estimado. Os preços deviam crescer 1,5% em 2013 e em 2014, mas só cresceram 0,4% em 2013 e espera-se que fiquem pelos 0,7%, este ano.