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Na escola primária ensina-se que os seres vivos nascem, crescem e morrem. Os alunos mais estudiosos acrescentam que os seres vivos também se alimentam e reproduzem. Mas o que não se ensina é que há seres vivos que renascem sem nunca chegar a morrer. Shin Kubota, investigador na Universidade de Kioto, dedica a sua vida a estudar medusas microscópicas capazes disso mesmo.

Normalmente medusas tão pequenas vivem apenas três meses, como é o caso da Turritopsis dohrnii estudada por este biólogo marinho. Mas estas são o único animal no mundo capaz de contrariar o processo de envelhecimento, explica o biólogo marinho num vídeo da Motherboard: “Na verdade não sabemos quanto tempo vivem. Podem viver para sempre”.

Quando envelhecem, ficam doentes ou têm uma lesão, demoram apenas três dias a voltar a um estádio inicial de desenvolvimento – o pólipo (uma fase em que está fixo ao substrato, entre a larva e a medusa que são formas nadantes). Esse pólipo recém formado vai formar centenas de clones que darão origem a centenas de novas medusas, geneticamente idênticas à primeira.

Desde estudante que Shin Kubota se interessava por cnidários, o grupo de animais que incluem as alforrecas, as anémonas e os corais. “Pensava que ao estudá-las podia entender os mistérios da vida na Terra.” Agora o seu entusiasmo é outro – compreender como é que as medusas Turritopsis dohrnii recuam a estádios iniciais da vida talvez possa ajudar os humanos a fazer o mesmo.

O investigador lamenta que não haja mais pessoas a estudar estas pequenas medusas imortais. Grande parte do seu tempo é dedicado a criá-las e a observá-las ao microscópio. O que sobra vai para a divulgação da investigação que faz… em karaoke.

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