Vinte e duas pessoas morreram em Deraa, no sul da Síria, na sequência de um bombardeamento rebelde contra apoiantes do Presidente Bashar al-Assad que faziam campanha eleitoral, informou esta sexta-feira o Observatório Sírio dos Direitos do Homem.

O ataque ocorreu na quinta-feira contra uma “tenda instalada no bairro de Matar, no âmbito da campanha de apoio” à reeleição de Assad, precisou aquela organização não governamental, acrescentando que o chefe de Estado sírio não estava no evento. Entre os mortos, avança a BBC, estavam pelo menos 11 civis, incluindo uma criança. As restantes vítimas eram militares do Exército sírio.

Segundo a mesma fonte, o ataque causou cerca de 30 feridos.

“O ataque é uma mensagem clara dos rebeldes para o regime de que não há um único local seguro na Síria para realizar eleições”, disse o diretor do Observatório, Rami Abdel Rahman, à agência de notícias AFP.

A Síria vai a votos a 3 de junho, apesar da guerra civil que se arrasta há mais de três anos. Bashar al-Assad deverá conseguir o seu terceiro mandato de sete anos, enquanto a ida às urnas está a ser vista pelo ocidente como uma vergonha e uma “paródia da democracia”.

Assad chegou à liderança síria em 2000, sucedendo o seu pai, Hafez al-Assad, que governou o país até morrer, durante 30 anos. É a primeira vez em décadas que o escrutínio envolve mais do que um candidato, já que as últimas eleições presidenciais foram organizadas através de referendo com um único nome no cartão – e sempre o nome de um membro da família Assad. Ainda assim, correspondentes da BBC na região dizem que os outros dois candidatos que vão constar no boletim do dia 3 de junho quase não são conhecidos e não puderam fazer campanha em pé de igualdade com Assad.

Desde março de 2011 já morreram mais de 160 mil pessoas no país, segundo dados não oficiais do Observatório sírio dos Direitos Humanos.