Marinho e Pinto, ex-bastonário da Ordem dos Advogados, foi eleito, nesta noite de domingo, deputado do Parlamento Europeu pelo Partido da Terra (MPT), com 7.1% dos votos totais. Para o ex-bastonário da Ordem dos Advogados, esta é uma vitória da “humildade, persistência e combatividade”, como fez questão de referir duas vezes. Com recados em especial para os orgãos de comunicação, de quem queixou-se de falta de apoio “deturpação” e “hostilidade”.

“Marinho Pinto tem opiniões muito sofisticadas”, dizia esta noite José Sócrates, no seu espaço de comentário político, ainda antes de se saberem os resultados definitivos, para contrariar a ideia de que a grande novidade da noite era a vitória do populismo personificada em Marinho e Pinto.

A sede do Movimento Partido da Terra (MPT), na Avenida de Roma, em Lisboa, desde as nove da noite que estava cheia. Marinho Pinto circulava pelo espaço e ia conversando com os presentes, mas recusava-se a comentar as projeções que o elegiam. Alguém disse bem alto para se fazer ouvir: “Eu acredito tanto nele.” Pela primeira vez, em 21 anos, o Partido pela Terra (MPT) elegeu um deputado para o Parlamento Europeu e estava à beira de conseguir um segundo mandato.

Quanto deram as 22 horas, deu-se uma salva de palmas gigante ao ser revelado que o MPT tinha conquistado 7.1% dos votos. Marinho Pinto começou o discurso de vitórias com “saudações democráticas” ao Partido Socialista (PS) e António José Seguro. E relembrou que a elevada taxa de abstenção nestas eleições coloca a democracia numa posição “frágil” e “fraca”.

Apesar de ainda agora ter sido eleito, Marinho Pinto não nega nem confirma se irá concorrer às próximas eleições legislativas previstas para o próximo ano, deixando a porta aberta a novo desafio eleitoral.

Jean Rosas, militante do MPT, comentava que “há 21 anos que o partido esperava para chegar à liga dos grandes” e considera Marinho Pinto uma “voz da verdade”. A principal linha do discurso de vitória foi sobre a emigração, tema que se advinha que vá estar no centro das politicas do deputado no parlamento europeu. Marinho Pinto falou da história dos seus pais que há 63 anos emigraram para o Brasil e também da sua filha e genro, que emigraram em 2011. Uma vitória dedicada a “todos os jovens que foram obrigados a sair de Portugal” devido a “políticas erradas” e políticas desonestas do actual governo, explicou num discurso entusiasta como já lhe é hábito.

Com uma popularidade em muito superior ao partido, Marinho Pinto afirmou ter escolhido o partido por quem se quis candidatar, por comungar com os seus ideais, e que tem noção que a sua “notoriedade” é superior à do próprio partido. Marinho Pinto afirmou que a Europa encontra-se numa “encruzilhada”. “Os europeus andaram-se a matar uns aos outro nos últimos 400 anos”, afirmou, explicando que a solução passa por políticas de “coesão interna”, não especificando quais.

Assumiu também que entre Shulz ou Juncker, ficará do lado do primeiro, caso a candidata dos Verdes não ultrapasse a primeira ronda das eleições para o lugar de Durão Barroso.

CDU celebra, BE reflete

O secretário-geral do PCP destacou, por sua vez, um dos maiores êxitos da CDU nos últimos 25 em eleições europeias e apelidou o primeiro-ministro de ‘kamikaze’ por insistir na “política de direita”, uma “obra de destruição do país”. O partido elegeu três mandatos, mais um do que em 2009.

“O aumento da expressão e influência eleitorais da CDU, passando de 10,7% para mais de 12% e o aumento do número de mandatos, com a eleição do terceiro deputado, valorizada pelo quadro de redução do número de deputados portugueses, constitui um dos mais significativos êxitos da CDU para o Parlamento Europeu, o mais expressivo nos últimos 25 anos”, afirmou, no centro de trabalho Vitória, em Lisboa. Na sede do BE, a noite foi de desconsolo.

A eleição de apenas uma eurodeputada não foi o resultado por que o partido lutou, reconheceu a coordenadora do partido, Catarina Martins, defendendo que “todos os partidos retiram consequências políticas de todos os resultados” e que o Bloco vai refletir. Em 2009, o BE tinha eleito três eurodeputados.