Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

É de Coimbra. “Troco os ‘b’ pelos ‘v’”, diz ao Observador. Cristina Mendes estudou línguas e literaturas modernas, especializou-se em economia e direito e foi viver para onde havia trabalho. Primeiro, Irlanda, depois, Escócia. Aos 30 anos, chegou a Frankfurt e é das mais antigas portuguesas a trabalhar no Banco Central Europeu.

“O facto de não falar alemão nunca me afligiu. Era um trabalho interessante, um desafio”, explica. No entanto, conta Cristina Mendes, quando os primeiros portugueses chegaram ao BCE há 15 anos a “integração no meio alemão foi difícil. Não falávamos a língua, nem conhecíamos a cultura alemã, não nos integrámos logo, muitas pessoas não se chegam a integrar”.

Não foi o seu caso. Casada com um alemão, tem outra perspetiva “sobre a cidade” de Frankfurt. Mantem laços com Portugal e com a sua cidade natal, mas não tem “uma ligação tão forte como parte” dos colegas. “Já estou fora há muitos anos”, confessa.

Ainda assim, visita os irmãos e os sobrinhos “duas a três vezes por ano”. Sente falta de bom bacalhau português. Em Frankfurt “é caro e difícil de encontrar”. “Mas do que sinto mesmo falta é da luz portuguesa, da luz de inverno”.

Apesar de ter saído de Portugal há vários anos, Cristina Mendes recusa o rótulo de emigrante. “Recuso-me sempre a ver-me como emigrante. Para mim, o mercado de trabalho é a União Europeia. Quando estava na Escócia era mais difícil ir a Portugal. Ganhava menos e não tinha voos diretos, mas, desde que estou em Frankfurt, demoramos três horas a chegar a Portugal”, explica. Por isso, repete: “sei que sou emigrante, mas não me vejo dessa forma.”

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR