A junta militar que governa a Tailândia bloqueou 219 páginas na Internet, alegando que constituem uma ameaça à “segurança nacional”, informa esta quarta-feira a imprensa local.

De acordo com o Ministério da Informação e Tecnologias de Comunicação, a ideia é elaborar um plano para tornar mais eficaz a “vigilância” da internet. Além de impedir o acesso a mais de duas centenas de páginas, o exército quer ainda pedir a colaboração de empresas de redes sociais, como Facebook ou Twitter, e de aplicações de chat, como o Line, para eliminar as contas dos utilizadores que difundam “conteúdos ilegais”, noticia o diário Prachatai.

Quem difundir “informação ilegal” será detido pelas autoridades militares, sob acusações que podem resultar em penas de prisão, sublinha o jornal, citado pela agência Efe.

O chefe do exército da Tailândia, o general Prayuth Chan-ocha, assumiu o controlo do poder no país na semana passada, depois de considerar que as tentativas do governo interino e dos manifestantes para alcançar um acordo fracassaram depois de sete meses de protestos nas ruas.

Nessa altura, os militares impuseram a lei marcial no país, sob o pretexto de “manter a paz e a ordem” e travar a violenta crise política que se arrasta desde o final de 2013, quando a primeira-ministra Yingluck Shinawatra dissolveu o Parlamento. No início de maio os tribunais tailandeses afastaram-na do cargo por considerarem que a líder do Executivo agiu ilegalmente quando, dois anos antes, afastou o chefe de segurança nacional, nomeado pelo anterior Governo. A substituí-la ficou Niwatthamrong Boonsongpaisan, que esteve à frente do governo interino até ao golpe de Estado militar que deixou os militares ao comando.

Os mais de sete meses de discórdia e protestos violentos, que vitimaram pelo menos 28 pessoas, já estão a afetar aquela que é a segunda maior economia do sudeste asiático, e crescem agora os receios de que o golpe de Estado da semana passada agrave ainda mais os danos. Segundo a Al-Jazeera, o recolher obrigatório às 22h (que dura até às 5h) está a prejudicar bastante o comércio e o turismo, e até a vida noturna, um fenómeno de ascensão naquele país.