E se o Chanel nº 5 deixar de cheirar a Chanel nº 5? Um dos perfumes mais icónicos de todos os tempos está sob ameaça de Bruxelas. A ele, junta-se o também famoso Miss Dior. A Comissão Europeia está a estudar uma nova regulamentação para proteger os consumidores de algumas alergias. O pânico entre as duas companhias perfumistas, que terão de reformular as suas essências, é real, explica o britânico The Telegraph.

O alarme soou quando o Comité Científico da Comissão Europeia estimou que cerca de 3% da população europeia sofre de alergias, ou é potencialmente alérgica a elementos que compõem os acordes olfativos de algumas fragâncias, indicou o El Mundo.

Em 2012, um relatório recomendou a limitação do uso de 12 ingredientes, considerados os pilares da indústria dos perfumes de luxo. Como o citrol, encontrado no limão e na tangerina, cumarina, no feijão tonka, e eugenol, proveniente do óleo de rosa. Ainda assim, apenas três deles são suscetíveis de serem banidos. Uma investigação está em curso para apurar se pequenas quantidades dos restantes nove ingredientes conseguem ser toleradas.

Em causa estão também novos requisitos de rotulagem: os frascos poderão ter de apresentar etiquetas que incluam as advertências alérgicas, tal qual um medicamento. Essa realidade pode aumentar o custo do perfume, segundo o The Telegraph.

O Chanel nº 5 e o Miss Dior, considerados dois dos perfumes mais populares do mundo, contêm musgos que podem vir a ser banidos, considerando as novas regras. As casas que detêm os aromas estão a tentar encontrar a solução, que passa por sintetizar os acordes. Criado em 1921 por Ernest Beaux, a pedido de Gabrielle “Coco” Chanel, o Chanel nº 5 está no mercado há 93 anos e é o perfume mais vendido – um frasco a cada 30 segundos. Além disso, era o perfume sem o qual a atriz Marilyn Monroe não conseguia dormir.

O certo é que ainda nada é definitivo. A proposta da Comissão está em análise até agosto. De seguida, será examinada pelo Parlamento e Conselho europeus, que podem sugerir alterações.