O Centro de Produção de Mangualde do Grupo PSA – Peugeot Citroën anunciou esta quinta-feira a redução de 280 postos de trabalho, devido à supressão do terceiro turno de produção.  Uma situação que deixa o presidente da Câmara, João Azevedo, “triste” e “preocupado” mas com esperança de que aquele turno, que é de caráter execional, se torne permanente.

O relançamento do terceiro turno para reforço da produção entrou em vigor em abril de 2013, com a indicação de que deveria funcionar “por um período mínimo de nove meses”, ou seja até dezembro. Acabou por durar 18 meses, ficando suspenso a partir do dia 25 de junho.

“O lançamento deste turno em Mangualde resultou do aproveitamento de uma oportunidade que sabíamos ser transitória, por se prender com o facto de a fábrica de Vigo do Grupo PSA registar naquela altura uma produção excecional e temporária, inerente à fase de lançamento dos modelos Citroen C-Elysée e Peugeot 301”, refere a empresa, em comunicado. Este impulso fez com que fosse possível a transferência dos modelos Citroën Berlingo e Peugeot Partner para o centro de produção de Mangualde.

Com o fim desse “fator extraordinário, será feito o natural ajustamento” da atividade produtiva e as “fábricas terão de voltar à sua produção nominal”, diz a empresa. Como consequência serão reduzidos “aproximadamente 280 postos de trabalho, passando a empresa a empregar cerca de 820 colaboradores e a ter como referência uma produção de 192 veículos por dia”, explica.

Para o presidente da Câmara, a preocupação pela extinção dos postos de trabalho estende-se “às famílias” dos trabalhadores que perderam o emprego mas também à “economia da região”. No entanto, o autarca recorda ao Observador que esta é uma situação que não é nova, que já aconteceu no ano passado e em anos anteriores. “É uma situação que está diretamente relacionada com o mercado de produção de automóveis”, pelo que mantém a “esperança” de que o impulso no mercado seja constante para que “o terceiro turno seja sempre necessário”, diz João Azevedo.

De acordo com a PSA, o acrescento de um turno “permitiu uma produção suplementar de cerca de 25.000 veículos, um acréscimo de exportações superior a 200 milhões de euros, mais quatro milhões de euros de salários e mais dois milhões de euros em impostos e contribuições sociais”. A empresa sublinha ainda que o terceiro turno se manteve 16 meses, ao invés dos nove inicialmente previstos, “com todas as vantagens sociais, económicas e fiscais decorrentes deste prolongamento”, garantindo que “os colaboradores que agora deixam esta empresa serão privilegiados em eventuais contratações futuras”.

O grupo PSA – que é formado pelas marcas Peugeot e Citroën e está em 160 países – comercializou 2,8 milhões de veículos no mundo em 2013, 42% dos quais fora da Europa. É o segundo maior fabricante europeu de automóveis, tendo registado em 2013 um volume de negócios de 54.100 milhões de euros.

A PSA de Mangualde produz os veículos Citroën Berlingo e Peugeot Partner e, atualmente, emprega 1.130 trabalhadores. É a maior empresa da região e uma das maiores exportadoras de Portugal, tendo produzido, em 2013, 56.713 veículos.