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O continente africano e a América Latina estão a impulsionar a atividade das duas maiores construtoras portuguesas, a Mota-Engil e a Teixeira Duarte. No primeiro trimestre de 2014, as empresas lideradas por António Mota e Pedro Teixeira Duarte, respectivamente, viram o volume de negócios subir 10,8 milhões de euros, à custa da atividade nos mercados externos, em países como Angola ou Brasil.

Os mercados africanos e da América do Sul foram responsáveis por 68% do total da atividade do grupo Mota-Engil nos primeiros três meses do ano, mais 13% do que aquilo que representavam no primeiro trimestre de 2013. “A manutenção de níveis elevados de carteira nestes dois mercados e o alargamento da atividade em África a novos países permitem perspetivar uma evolução sustentada da atividade internacional do grupo”, lê-se no relatório sobre os resultados do primeiro trimestre.

Em África, países como Angola, Moçambique, África do Sul, Cabo Verde ou São Tomé e Príncipe foram reponsáveis por 47% do volume de negócios da construtora, que totalizou 488 milhões de euros, mais 17 milhões do que no mesmo período em 2013. No continente africano, o volume ascendeu a 231 milhões de euros e a carteira de encomendas da região fixou-se nos 1,6 mil milhões de euros em março, “o que continua a suportar as excelentes perspetivas de crescimento do grupo na região”.

A América Latina contribuiu com 21% para a subida do volume de negócios da empresa liderada por António Mota, mais 3% do que o que representava no primeiro trimestre de 2013. “As adjudicações anunciadas no final de 2013 e nos primeiros dias de 2014, no montante total de cerca de 900 milhões de euros, permitem perspetivar uma evolução sustentada da atividade do grupo nesta região”, lê-se no relatório. Pela primeira vez, a América Latina concretizou um volume de negócios superior a 100 milhões de euros num trimestre.

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Na Europa, o volume de faturação caiu 20% nos primeiros três meses do ano, para os 177 milhões de euros, influenciado pela redução de 29% do negócio de Engenharia e Construção levada a cabo pela empresa.

Brasil e Venezuela são a novidade da Teixeira Duarte
O mercado externo representou 84,4% do volume de negócios da Teixeira Duarte, nos primeiros três meses do ano. No total,  a empresa registou um crescimento de 4,2% face ao primeiro trimestre de 2013, atingindo 356,5 milhões de euros.

O destaque vai para o comportamento verificado no Brasil e na Venezuela, que tiveram aumentos “muito significativos”, como se lê no relatório com os resultados do primeiro trimestre. O primeiro país alcançou os 21,8 milhões de euros, mais 14,4 milhões do que nos primeiros três meses de 2013 e o segundo 71,7 milhões, mais 37,2 milhões de euros.

Angola e Venezuela, contribuiram sozinhas com 231,8 milhões de euros, 65% do total, apesar de os resultados angolanos terem caído 48,1% quando comparados com o trimestre de 2013. Em causa, esteve a conclusão de uma das grandes obras da empresa no país.

Em Portugal, a atividade da Teixeira Duarte caiu 23,9%, tendo contribuído apenas com 55,7 milhões de euros do total do volume de negócios da construtora, representando uma fatia de 15,6%. A redução da participação de Portugal nas contas da empresa tem vindo a acontecer desde, pelo menos, 2010. Comparando com o primeiro trimestre de 2013, caiu 5,8%.