Sete homens foram presos esta segunda-feira por terem violado uma estudante de 19 anos durante as celebrações da tomada de posse do novo presidente Abdel Fattah al-Sissi, na Praça Tahrir, no centro do Cairo. De acordo com o Mashable, a estudante foi hospitalizada na sequência do ataque. Através de um comunicado o Ministério do Interior, que detém a tutela da polícia, informou que os sete detidos têm idades compreendidas entre os 15 e os 49 anos e que um polícia ficou ferido no momento da detenção.

O assédio sexual é um dos mais graves problemas sociais do Egito. De acordo com um estudo datado de 2012, realizado pelo Egyptian Centre for Women’s Rights, o Egito é o segundo país no mundo onde se verificam mais casos de assédio sexual. Uma situação que, na semana passada, levou o presidente cessante, Adly Mansour, a emitir um decreto que declara o assédio sexual um crime punível até cinco anos de prisão.

Apesar de ser a primeira vez que as autoridades egípcias tomam uma posição em relação ao tema, a maioria da população ainda vê o assédio sexual como uma questão cultural. “O maior problema é a questão cultural: a sociedade não vê o assédio como um crime”, disse ao Guardian Eba’a El-Tamini, porta-voz do grupo HarassMap, cujo propósito é o fim do assédio sexual no Egito. “A polícia costuma simpatizar com os abusadores e, por vezes, são eles próprios os abusadores. Mesmo quando alguém tenta denunciar um caso de assédio, a polícia tenta impedi-la de ir adiante com a queixa”.