Donald Tusk

Tusk não se demite por causa de gravação e defende o governador do Banco Central da Polónia

Primeiro-ministro segura governador do Banco Central da Polónia após a divulgação de escutas que comprometem o executivo e a autoridade bancária do país.

AFP/Getty Images

A oposição pedia a demissão do executivo, mas esta segunda-feira, Donald Tusk, primeiro-ministro da Polónia, veio dizer que a divulgação da gravação de uma conversa entre Marek Belka, governador do Banco Central da Polónia, e do ministro do interior, Bartlomiej Sienkiewicz, foi uma “tentativa organizada de derrubar o Governo de forma ilegal”. Na conversa divulgada por uma revista polaca, o ministro Sienkiewicz pedia apoio do Banco Central às políticas do governo em 2015 – ano de eleições -, ao que Belka retorquiu que em troca queria um novo ministro das Finanças. E teve-o.

A conversa foi divulgada no sábado pela revista Wprost e esta segunda feira, Donald Tusk veio responder à oposição que já pede a demissão do Governo, ao dizer que na gravação não há qualquer crime de nenhuma das partes, não havendo assim “transgressão da lei”. “Independentemente da maneira desagradável como expressaram as suas opiniões, ambos estavam a falar em como ajudar o país e nas ações comuns em tempo de crise”, referiu Tusk numa conferência de imprensa organizada hoje para falar ao país sobre este assunto. O primeiro-ministro disse ainda que não demite o ministro do Interior, nem destitui Belka do seu cargo.

Isto é uma tentativa organizada para derrubar o governo através de meios ilegais” defendeu Donald Tusk

Na gravação, que data de julho de 2013, Sienkiewicz pergunta a Belka se este poderá ajudar o governo nos seus esforços para estimular a economia antes das eleições – que deverão acontecer no próximo ano -, caso a Polónia tivesse um fraco crescimento e os maus resultados orçamentais coincidissem com um forte apoio ao principal partido da oposição (o partido Lei e Justiça). Belka respondeu que estava disposto a influenciar o Conselho de Políticas Monetárias do país se o o ministro das Finanças da altura, Jacek Rostowski, fosse substituído por uma figura “técnica e menos política”. Com ou sem influência desta conversa, Rostowski foi em novembro substituído por Mateusz Szczurek, um economista do banco ING.

Presidente diz que situação é séria e oposição força demissão do governo

O presidente polaco, Bronislaw Komorowski, já veio dizer que estas gravações mostram “uma crise séria nas instituições do Estado”. Foi Komorowski que escolheu Belka em 2010 para uma mandato de seis anos. Cabe ao presidente escolher uma figura sem conotação política e com um perfil que se adeque à “dignidade do cargo” segundo a Constituição polaca. O banco central polaco deve cooperar com o governo nas políticas económicas desde que não comprometa o seu dever constitucional de proteger a moeda.

Entretanto, o equivalente polaco ao Procurador Geral da República em Portugal já veio dizer que não há qualquer crime nas gravações divulgadas, mas o líder da oposição discorda. “Este governo não é capaz de assegurar a estabilidade da Polónia ou agir no seu interesse” disse Kaczynski, líder do partido Lei e Justiça. Este partido vai agora apresentar uma moção de confiança no parlamento para testar o executivo de Tusk.

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