Os rebeldes separatistas pró-russos abateram nesta terça-feira um helicóptero militar ucraniano perto de Slaviansk, na região leste da Ucrânia, matando os nove soldados a bordo do aparelho, divulgou um porta-voz do exército ucraniano. O ataque ocorre um dia depois do anúncio surpresa dos dirigentes separatistas pró-russos, de que aceitam um cessar-fogo provisório, até sexta-feira, e negociações com as autoridades pró-europeias de Kiev.

“Estavam nove pessoas a bordo do helicóptero, um Mi-8. Segundo as primeiras informações, estão todos mortos”, escreveu o porta-voz Vladislav Selezniov, na sua conta pessoal na rede social Facebook. O porta-voz do exército precisou que o aparelho militar foi abatido por um ‘rocket’ disparado a partir de um sistema de defesa aérea móvel, um tipo de armamento pesado que, segundo as autoridades de Kiev, é fornecido por Moscovo. A Rússia nega o envio de armas para as regiões separatistas.

O helicóptero militar ucraniano regressava à base depois de ter transportado equipamento para um local não especificado na zona de conflito. Na cidade rebelde de Slaviansk, na região de Donetsk, o exército ucraniano e os separatistas pró-russos envolveram-se hoje numa troca de tiros, de acordo com um jornalista da agência francesa AFP presente no local, que também relatou o registo de tiros de artilharia.

Um alto responsável das Nações Unidas avançou, também hoje, que os confrontos entre o exército ucraniano e os rebeldes pró-russos na região leste da Ucrânia fizeram, entre 15 de abril e 20 de junho, um total de 423 mortos, civis e militares.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Ivan Simonovic, secretário-geral adjunto para os Direitos Humanos, realçou, durante uma videoconferência, que o número de deslocados na Ucrânia “duplicou nas últimas duas semanas, com grandes deslocações – estimadas em cerca de 15.200 pessoas -, nas regiões de Donetsk e de Lugansk”.

Até segunda-feira, dia 23 de junho, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) registou um total superior a 46.100 deslocados, 11.500 provenientes da península da Crimeia e cerca de 34.600 originários da região leste da Ucrânia, segundo o mesmo responsável, que admitiu que os valores reais “são suscetíveis de serem mais elevados”.