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Frequentar um colégio particular, como o Marista Nossa Senhora da Penha, em Grande Vitória, no Brasil, implica aceitar as regras do estabelecimento. Muitos colégios têm normas rígidas em relação ao vestuário e impõe um uniforme que deve ser usado por todos os alunos. O colégio Marista criou uma exceção durante o Mundial de Futebol, mas uma exceção com exceções.

Antes de começar o campeonato no Brasil, os responsáveis pelo colégio avisaram os alunos que poderiam usar camisolas alusivas à prova. Mas só as do Brasil. “Nós fomos às salas de aula e explicámos aos estudantes que quisessem ir com camisas da seleção brasileira poderiam ir, mas não poderiam ir com outras roupas, nem camisas de outras seleções. A escola é muito rígida quanto à questão do uniforme, se a gente liberar para um, teremos que liberar para todos, perderíamos a nossa autoridade e organização”, explicou ao G1 a vice-diretora do colégio, Cristina Vargas.

Mas a aluna Crystal Casqueiro, filha de pai português e mãe brasileira, entendeu que havia de vestir a camisola da seleção portuguesa. E a mãe apoiou a decisão. “Estamos na Copa do Mundo, o melhor momento para a gente refletir e respeitar o outro e as diferenças. Não é uma boa hora de colocar uma regra tão rígida quanto esta. O Brasil é um país de mistura e podemos torcer para quem quer que seja. O problema é que ninguém respeita o time do outro e por isso, temos exemplos no país tão negativos. A escola seria o melhor lugar para mudar esta história”, relatou Priscila Casqueiro.

A primeira tentativa foi na terça-feira. Não foi barrada, mas avisaram-na para não repetir, disse a vice-diretora. Na quarta-feira, quando tentou novamente, foi-lhe oferecido um uniforme do colégio para se trocar. A aluna rejeitou e ficou assim impedida de realizar a prova de português que tinha marcada para esse dia. Vai tentar na segunda fase, se nessa altura não decidir voltar a usar a camisola de Portugal.

 

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