A Ordem dos Médicos tomou a decisão de apoiar a greve convocada pela Federação Nacional dos Médicos e o anúncio foi feito nesta terça-feira através de um comunicado em que explica o seu ponto de vista e critica as políticas seguidas pelo Governo. A paralisação vai ter lugar a 8 e 9 de julho próximos e a Ordem apela “aos doentes para não irem às consultas ou realizar exames complementares de diagnóstico aos Centros de Saúde e Hospitais” naqueles dias “para evitar despesas e perdas de tempo desnecessárias”.

A organização aconselha os utentes a “informar-se junto das respectivas instituições de Saúde” e apela “à participação dos doentes e de toda a população na concentração do dia 8 de Julho, às 15h30, em frente ao Ministério da Saúde”, porque, afirma “a Saúde deve continuar a ser de todos”. A posição da Ordem dos Médicos, liderada por José Manuel Silva, é justificada por considerar que, até agora, o Serviço Nacional de Saúde “servia todos os portugueses com qualidade”, mas adianta que o sistema “está a sofrer com as medidas de austeridade e a degradar-se muito mais do que outros setores da governação, por mera opção política, pois este Governo impôs mais cortes à saúde e aos doentes do que aquilo a que foi forçado pela troika”.

O comunicado refere que o ministério tutelado por Paulo Macedo “já não pode continuar a esconder a dramática verdade do SNS, conforme demonstram as denúncias apresentadas nas conferências de imprensa da Ordem, as notícias transmitidas pela comunicação social, a violenta ameaça de demissão do Hospital de S. João, as denúncias de outros hospitais e o panorama terrível traçado pelo Observatório Português dos Sistema de Saúde, chamado ‘Síndroma da Negação’, porque o Ministério da Saúde esconde a verdade”.

Do ponto de vista da Ordem dos Médicos, “os doentes sentem-no diariamente, quando vão às urgências e aguardam horas, quando esperam pelas cirurgias e consultas, quando a limpeza falha, quando faltam medicamentos e material clínico nos hospitais, quando os aparelhos não são reparados, quando os médicos não podem pedir os exames de diagnóstico que acham necessários, quando não têm acesso aos novos medicamentos que os podiam curar, quando não têm dinheiro para pagar os transportes”, entre outras situações que o comunicado não nomeia.

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Afirmando que “os médicos defendem os doentes”, a Ordem acusa o Ministério da Saúde de patrocinar “uma intensa campanha contra a dignidade de todos os médicos, usando os casos de alguns, que devem ser exemplarmente punidos, com notícias repetidamente transmitidas na comunicação social. Como afirma que defende a transparência, fica uma pergunta directa ao Ministro da Saúde: quanto gasta mensalmente o Ministério da Saúde, e com quem, em assessorias e assessores de imagem e comunicação?”.

O diálogo com o Ministério da Saúde, prossegue o comunicado, “tem sido muito retórico mas muito pouco consequente” e o Bastonário da Ordem dos Médicos “está disponível para um debate público com o ministro da Saúde sobre as razões do insucesso do processo de diálogo e sobre todas as medidas gravosas tomadas pelo Ministério da Saúde”. A Ordem afirma que esta em causa a qualidade do SNS e os direitos dos doentes, entre outras razões porque o Governo “não contrata os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e técnicos) essenciais ao bom funcionamento” do Serviço, porque não evita a emigração de especialistas médicos portugueses e contrata médicos estrangeiros pelo dobro do custo dos médicos residentes em Portugal”.