O secretário-geral do PS afirmou sábado, em Vila Real, que o interior do país não é um fardo nem um encargo, defendendo políticas de discriminação positiva como a redução de impostos para empresas que aqui criem emprego.

“Eu não descobri ontem o interior, eu nasci no interior, vivi o interior e nos anos que levo como líder do PS coloquei o interior na prioridade na nossa agenda política”, afirmou António José Seguro numa sessão com militantes e simpatizantes do PS, no âmbito da campanha para as eleições primárias no partido, marcadas para 28 de setembro deste ano.

E é, garantiu, por uma “questão de justiça” e “não de votos” que dá prioridade a esta zona do país.

“Há quem considere que o interior é para esquecer, que é um encargo, um fardo, que custa muito. Ainda hoje [sábado] ouvi declarações do primeiro-ministro a dizer que custa muito manter serviços no interior. Pois eu quero dizer com muita clareza que, para mim, o interior não é um fardo nem é um encargo”, frisou.

O líder do PS defendeu políticas de discriminação positiva para o interior, destacando a cobrança de “menos impostos para as empresas que se criem no interior desde que criem empregos”

“Não se trata de deslocalizar para o interior as suas sedes para pagarem menos impostos, falcatruas não. Estamos a falar de investimentos concretos e reais, que criem emprego líquido e que ajudem a que as pessoas aqui se fixem”, sublinhou.

Defendeu ainda a criação de um programa de desenvolvimento financiado por fundos comunitários.

Em Vila Real, António José Seguro centrou grande parte do seu discurso precisamente no interior do país, frisando que não aceita ter um país com “este grau de desequilíbrio”, com mais de dois terços da sua população a viver entre Braga e Setúbal.

Às desigualdades sociais, Seguro acrescentou agora as desigualdades territoriais.

“Emprego, serviços públicos, uma boa racionalização do ponto de vista administrativo, tribunais para que se faça justiça, concretizar investimentos públicos como o Túnel do Marão são, a meu ver, indispensáveis para que possamos olhar para o interior com esperança e confiança”, salientou.

O secretário-geral do PS considerou que a “política do atual Governo é muito simples” já que apresenta apenas “soluções na ponta de uma tesoura: corta-se ou encerra-se”.

“Começa agora a ter um discurso dizendo que o emprego é a prioridade porque se estão a aproximar as eleições legislativas e percebem que vão ter essa dificuldade de explicar como destruíram tanto emprego e disseram aos jovens que a única oportunidade era a emigração e como destruíram tanto do nosso aparelho produtivo”, acrescentou.

Quanto à “ladainha do consenso e compromisso” que Seguro diz que regressou recentemente, sublinhou que este é possível, “mas com as prioridades certas e com as propostas concretas”.

“Por muito que o primeiro-ministro diga que é ele que está disponível para os compromissos nós aqui reafirmamos que os compromissos que ele quer é para voltar a destruir e empobrecer e tornar mais desigual o nosso país”, referiu.