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Depois de no fim-de-semana as tropas ucranianas terem conquistado as cidades de Slaviansk e Kramatorsk, a questão que se coloca é a de saber se Petro Poroshenko está a assistir a um momento de viragem na crise que dura há mais de três meses, quando forças separatistas pró-Moscovo tomaram o controlo de dezenas de cidades no leste da Ucrânia.

Desde que no início de julho o Presidente ucraniano anunciou o fim do cessar-fogo e o início de uma operação para reconquistar o leste do país, as tropas ucranianas anunciaram uma série de vitórias sobre os grupos pró-Rússia. Mas, tal como escreve a BBC, muito daquilo que foi anunciado não podia ser verificado independentemente.

A recuperação da cidade de Slaviansk, no sábado, foi considerada por Poroshenko como tendo uma “importância simbólica incrível”, apesar de “não ser uma vitória total”. No domingo, as autoridades ucranianas afirmaram ter tomado o controlo de muitas outras cidades que tinham sido tomadas pelos separatistas, incluindo Kramatorsk, Artemovsk e Druzhovka.

Segundo a BBC, há sinais de que a conquista de Slaviansk pode de facto ter sido um momento decisivo. Os rebeldes admitiram uma retirada – ainda que “tática” – por terem sido desarmados pelas forças governamentais. Antes da retirada, o líder dos separatistas na região, Igor Strelkov, disse que a força dos bombardeamentos ucranianos era suficiente para exterminar os rebeldes “numa semana ou em duas no máximo”, escreve a cadeia britânica.

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De acordo com o Guardian, as forças pró-russas que abandonaram Slaviansk dirigiram-se para a região de Donetsk com o objetivo de engrossas a resistência ao avanço ucraniano. Strelkov disse à agência russa Life News que já está na cidade. “Vamos continuar a combater a operação e tentaremos não cometer os mesmos erros que fizemos no passado”, disse.

Depois de Slaviansk, Poroshenko escreveu no Twitter que Donetsk e Luhansk seriam os próximos objetivos do exército ucraniano: “A minha ordem está em vigor – apertar o cerco aos terroristas. Continuem a operação para libertar as regiões de Donetsk e Luhansk”.

A BBC disse que os rebeldes ainda contam com muitos homens e armas e equipamento militar em grande número. Sob o seu controlo continuam uma porção importante do território no leste. Mas os separatistas começam a acusar o abandono de Moscovo. “A Rússia não quer ajudar-nos a reunirmo-nos com o nosso povo. É muito difícil admitir que nos últimos três meses não tivemos ajuda”, disse Igor Strelkov.

Segundo a BBC, alguns analistas pensam que este tipo de queixas podem ser parte de uma campanha de desinformação e uma forma de justificar uma intervenção militar de Putin. As autoridades ucranianas afirmam que Moscovo continua a apoiar os rebeldes, uma acusação também feita por alguns países do Ocidente.

Mas o Kremlin continua a negar este apoio, apesar de não recusar que há muitos cidadãos russos a lutar do lado dos separatistas. Como é o caso de Strelkov, que as forças ucranianas acusam de ser um agente dos serviços secretos russos.