Conflito na Ucrânia

Exército ucraniano pede aos civis para abandonarem as zonas rebeldes em Donetsk

O exército ucraniano apelou à população para abandonar as zonas ocupadas pelos terroristas, em Donetsk, uma cidade do leste da Ucrânia.

A Ucrânia já tinha pedido aos separatistas para respeitarem o cessar-fogo

JERRY LAMPEN/EPA

O exército ucraniano apelou esta segunda-feira aos civis para abandonarem as zonas controladas pelos separatistas pró-russos, quando aperta o cerco ao bastião de Donetsk, uma cidade do leste da Ucrânia com um milhão de habitantes antes do conflito. “Apelamos à população pacífica para abandonar as zonas ocupadas pelos terroristas”, que “pilham a população local, efetuam sequestros, confiscam edifícios e viaturas privadas”, declarou aos ‘media’ o porta-voz militar Andrii Lyssenko.

Em Donetsk, o estado-maior ucraniano pediu aos separatistas para respeitarem o cessar-fogo em torno de determinadas zonas para permitir a saída dos civis. Nos últimos dias os combates intensificaram-se em torno da maior cidade da região produtora de carvão de Donbass. O exército de Kiev reivindicou a recuperação de mais de 600 localidades em quatro meses de ofensiva e hoje garantiu um novo avanço com a conquista de Iassynouvata, 20 quilómetros a norte de Donetsk.

Segundo a câmara municipal, durante a tarde decorriam intensos combates em Mariinka, na periferia sudoeste da cidade. Kiev garante que a sua estratégia consiste em isolar as forças rebeldes em Donetsk e Lugansk para as afastar da fronteira russa, mas a aproximação das tropas fiéis ao governo central poderá significar que se aproxima um ataque, com o risco de combates particularmente mortíferos.

Um porta-voz militar limitou-se a confirmar “preparativos em curso”, sem confirmar a iminência de um assalto à capital do Donbass. Em Lugansk, o outro bastião separatista do leste, a câmara municipal alertou no fim de semana para uma possível catástrofe humanitária e reconheceu a incapacidade de fornecer novos balanços, devido ao corte da eletricidade e das comunicações telefónicas.

Segundo estimativas da ONU, desde o início da ofensiva ucraniana, há cerca de quatro meses, mais de 1.100 pessoas, incluindo centenas de civis, foram mortas. O número não inclui as 298 vítimas da queda do voo das linhas aéreas malaias MH17, que implicou a imposição de sanções ocidentais sem precedentes contra Moscovo. Donetsk e Lugansk “são cidades decisivas hoje ocupadas pelos terroristas, onde se concentra a maioria dos terroristas e das armas, e sabemos que não será fácil libertá-las”, reconheceu o ministro ucraniano da Defesa, Valéri Gueleteï.

“Terroristas” é o termo utilizado pelas autoridades de Kiev para designar os separatistas armados. Esta segunda-feira, Moscovo declarou que 438 soldados ucranianos destacados no leste se renderam e foram acolhidos no seu território. Em Kiev, o porta-voz militar apenas confirmou parcialmente a informação, ao indicar que 311 soldados foram “forçados a refugiar-se” num posto fronteiriço russo devido aos combates.

Em paralelo, a Rússia decidiu desencadear novas manobras militares que envolvem mais de 100 aviões de combate perto da fronteira ucraniana. Quanto à NATO, que nos últimos meses tem procedido a manobras militares em países vizinhos da Rússia, voltou a criticar no fim de semana o que designa por “agressão russa” na Ucrânia e anunciou “novos planos de defesa”. As tensões internacionais conheceram um súbito agravamento após a queda em 17 de julho do Boeing das linhas aéreas da Malásia, com 298 pessoas a bordo e supostamente abatido por um míssil.

 

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