Se costuma seguir o blogue Humans of New York talvez já tenha reparado que, nos últimos dias, as vistas das movimentadas ruas e avenidas de Manhattan e a paisagem verdejante do Central Park foram substituídas por paisagens quase desérticas e edifícios de arquitetura islâmica do Médio Oriente. O fotógrafo por trás do projeto foi convidado pela ONU para uma viagem à volta do mundo para “visitar alguns locais distantes e ouvir o máximo de pessoas possível”, lê-se no Facebook.

Brandon Stanton, responsável pelo Humans of New York, chegou ao Iraque na semana passada, no meio de violentos combates entre as forças militares governamentais e os jihadistas do Estado Islâmico (ex-ISIS). Entretanto já se encontra na Jordânia e a intenção é visitar mais oito países: o Uganda, o Quénia, a República Democrática do Congo, a Índia, o Vietname, El Salvador, um país da Amazónia (provavelmente o Equador) e o Haiti, até regressar à sua Nova Iorque natal no fim de setembro.

Stanton publicou as suas primeiras fotografias do Iraque a 7 de agosto, a partir da cidade de Erbil, capital da região autónoma do Curdistão, que está no epicentro da zona agora disputada pelos beligerantes. A primeira história que o Humans of New York relatou foi a de uma menina que “fala mais línguas do que qualquer pessoa da sua família”, pois “brinca com todas as crianças da rua”.

“Para além de recolher retratos e histórias, o objetivo da viagem é sensibilizar [as pessoas] para os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio” definidos pelas Nações Unidas, explica Stanton. São oito esses objetivos: erradicar a pobreza extrema e a fome; garantir educação primária para todas as crianças; promover a igualdade de género e a valorização da mulher; reduzir a mortalidade infantil; melhorar a saúde maternal; combater a SIDA, malária e outras doenças; promover a sustentabilidade ambiental e promover o trabalho mundial pelo desenvolvimento.

Segundo a responsável pela organização da viagem, Gabo Arora, da ONU, os desenvolvimentos na guerra entre o ISIS e as forças militares iraquianas e a decisão dos Estados Unidos de intervirem com ataques aéreos na zona foram “muito inesperados”, pelo que tiveram de ser feitas algumas alterações à viagem, que há muito estava já planeada. De acordo com Arora, que falou com o jornal inglês The Independent, a intenção das Nações Unidas era captar o “elemento emotivo e as histórias das pessoas” relacionados com a prossecução dos Objetivos do Miléno. “Sempre trabalhámos com grandes celebridades como George Clooney ou Angelina Jolie, mas queríamos mesmo trabalhar com novos embaixadores de comunicação – pessoas normais com seguidores extraordinários”, disse.

Brandon Stanton iniciou o projeto Humans of New York em 2010 e hoje tem mais de 9 milhões de fãs no Facebook e 136 mil seguidores no Twitter, onde também publica as suas fotografias, que são sempre acompanhadas por uma citação da pessoa fotografada ou de outras relacionadas – frequentemente situações extremamente pessoais.

Neste momento, a última publicação de Stanton é a de um rapaz, na Jordânia, que diz querer ser piloto para poder voar:

“Os meus momentos mais felizes são quando vejo a minha mãe feliz”

“Eles eram dezenas e nós só éramos quatro. Levaram todas as minhas ovelhas”

“Daria a minha alma para curar o seu cérebro”

“Preocupo-me com o dia em que eles começarem a querer coisas que eu não posso pagar”

“Nadar é a melhor coisa do mundo. Se temos tempo, nadamos dez vezes por dia”

“O que é que vocês querem ser quando forem grandes? Médico. Médico”

“Só queremos ficar juntos e não ter medo”