A Google vai revestir os cabos de fibra óptica que transportam informação entre os Estados Unidos e o Japão com um material semelhante ao kevlar — o material usado nos coletes à prova de bala –, para os proteger contra o ataque de tubarões, revelou Dan Belcher, gestor de produto, no evento Google Cloud Roadshow. Contudo a Google evitou prestar informações adicionais sobre o assunto.

Os motivos que levam os tubarões a morder os cabos ainda são desconhecidos, pode ser simples curiosidade ou um campo elétrico emitido, mas é natural que os consórcio de seis empresas responsável pelo projeto FASTER queira manter intacto o investimento de 300 milhões de dólares (cerca de 225 milhões de euros). E tem razões para isso: a reparação de um cabo submarino pode custar uns quantos milhares de euros. Em 1987, quando as dentadas de tubarão destruíram quatro segmentos do cabo que atravessava o oceano Atlântico, o custo da reparação era de mais de 225 mil dólares (cerca de 168 mil euros) por cada dentada. Mas este também não era o primeiro caso, já em 1985 tinham sido encontrados dentes de tubarão presos a um cabo.

Quase 30 anos depois será que a Google ainda precisa de se preocupar com isso? Parece que sim. Um vídeo de 2010 mostra um tubarão a morder um cabo.

As fibras óticas não são mais do que fios de vidro. Embora revestidas por algumas camadas de materiais protetores, podem não resistir à força da mordida de um tubarão ou ao sacudir da cabeça que faz com que os dentes serrilhados rasguem a presa. Ao contrário do que se pudesse pensar, os tubarões não têm nenhum gosto especial por cabos de cobre ou fibras óticas, mas são extremamente sensíveis aos campos eléctricos. As ampolas de Lorenzini, perfurações no focinho do animal, são capazes de detetar os campos eletromagnéticos dos peixes e mamíferos de que se alimentam. Incapazes de distingir se o que detetam é causado por um cabo ou pela contração muscular do alimento, acabam por morder para provar o que os atrai.