Foi curto e não foi bom. O primeiro governo de Valls chegou ao fim esta segunda-feira, mas Hollande não desiste e a nova vida do primeiro-ministro começa amanhã. De saída estão os elementos mais críticos do executivo e que com as suas declarações deram origem a esta crise: Arnaud Montebourg (Economia) e Benoît Hamon (Educação). Mas estas não serão as únicas alterações. Com mais saídas e algumas promoções, Valls vai fazer um governo à sua medida.

Manuel Valls já tem um lugar na história da democracia francesa. O seu governo durou 147 dias, um dos mais curtos desde 1958, um feito que faz de si o sétimo primeiro-ministro que menos tempo chefiou o executivo. No entanto, a demissão é uma oportunidade para o socialista limpar a oposição interna dos seus ministros. Duas das ministras que não voltam são Aurélie FilippettiChristiane Taubira.

Filippetti enviou uma carta aberta a Hollande onde diz escolher “ser leal aos seus princípios” e por isso não desejar continuar no governo, já Christiane Taubira terá apoiado as declarações polémicas de Montebourg e Hamon no fim-de-semana, enviando-lhes mensagens de parabéns por criticarem abertamente Hollande e Valls. Não deve, por isso, regressar ao novo governo.

Aliás, já terá até substituto: André Vallini, até agora secretário de Estado da Reforma Territorial. Caso Vallini não seja o escolhido, o Le Figaro fala em Bertrand Delanoë, ex-presidente da Câmara de Paris para o seu lugar. Já Ségolène Royal, até agora ministra do Ambiente, pode ficar com uma grande pasta que junte Educação e Cultura – ela é uma das pessoas da maior confiança de François Hollande, depois de vários anos de vida em comum e quatro filhos. Michel Sapin, que é ministro das Finanças, pode acumular a Economia, segundo o Le Point.

Quem também pode voltar para reforçar o governo francês são os Verdes. O partido decidiu sair com a liderança de Valls, mas uma remodelação pode trazer de novo algumas caras dos ecologistas. Emmanuelle Cosse, líder do partido já veio dizer que quem entrar no novo executivo, entra em nome próprio, mas parece haver candidatos: o senador Jean-Vincent Placé e os deputados François de Rugy, Denis BaupinBarbara Pompili podem ser candidatos a um cargo ministerial.

O Eliseu fez saber em comunicado que a nova constituição do executivo vai ser conhecida durante esta terça-feira. Valls passou o dia em reuniões, primeiro com os ministros demissionários, depois com a restante equipa governativas e por fim com Hollande. Pelo meio, Montebourg e Hamon vieram explicar o porquê do seu afastamento em relação ao caminho do governo.