O governo ucraniano e as forças separatistas pró-russas chegaram a acordo e, diz a britânica BBC, que cita o presidente ucraniano Petro Poroshenko, já assinaram um “protocolo preliminar” que levará a um cessar-fogo. Poroshenko diz que o cessar-fogo terá início às 14 horas (GMT), 15 horas em Lisboa.

As duas partes, e também representantes da Rússia, estão desde a manhã desta sexta-feira reunidos na capital da Bielorússia, Minsk, a negociar uma solução para o conflito na Ucrânia. As conversações envolveram o ex-presidente ucraniano, Leonid Kucha, o embaixador russo na Ucrânia Mikhail Zurabov e os líderes dos autodenominadas “república das pessoas” de Donetsk e Luhansk.

“A segurança das nações que fazem parte da NATO são mais importantes que os custos que possam surgir de boicotes económicos”, lembrou Anders Fogh Rasmussen, secretário-geral da NATO, na reação ao anúncio. Apesar do entendimento alcançado, espera-se que a União Europeia e os Estados Unidos da América devem anunciar novas sanções bancárias e energéticas à Rússia, escreve o Guardian.

O acordo de cessar-fogo surge depois do presidente da Rússia, Vladimir Putin, ter apresentado na quarta-feira um plano de sete pontos para a paz.

1. As milícias separatistas devem pôr fim às ofensivas militares nas regiões de Donetsk e Lugansk;

2. As forças armadas pró-Kiev devem retirar-se daquelas regiões do leste até um ponto em que já não seja possível atingir as cidades com bombardeamentos;

3. Implementar um controlo total e objetivo da comunidade internacional sobre a monitorização do cessar-fogo;

4. Excluir o uso de aeronaves de combate contra civis;

5. Libertar e trocar prisioneiros sem necessidade de estabelecer condições prévias;

6. Implementar corredores humanitários para refugiados e permitir a entrada de ajuda humanitária para Donetsk e Lugansk;

7. Criar ‘equipas de reconstrução’ para reparar as estradas danificadas, pontes, linhas de energia e outras infraestruturas destruídas na região.

“Dei instruções ao ministério das Relações Exteriores em cooperação com a OSCE para assegurar um controlo eficaz do cumprimento do cessar-fogo que tem uma natureza bilateral”, escreveu Petro Poroshenko, presidente da Ucrânia, no Twitter.

O plano para o cessar-fogo inclui a suspensão de todas as “operações militares de intuito ofensivo” pelas forças ucranianas e os rebeldes pró-Rússia, um plano de monitorização internacional do cessar-fogo, trocas de prisioneiros sem cláusulas e a abertura de corredores humanitários no leste da Ucrânia.

Esta decisão surge no mesmo dia em que na cimeira da NATO, a decorrer no Reino Unido, foi acordara a criação de uma força militar de 4000 soldados, caso seja necessário intervir na Ucrânia de forma rápida.

Ao mesmo tempo que as conversações de paz começaram em Minsk, os combates na Ucrânia continuavam, conta a BBC. As forças militares ucranianas e voluntários estão a tentar manter o controlo da cidade de Mariupol, que estava sobre ataque dos separatistas.

Já depois das 15 horas, momento em que devia começar o cessar-fogo, o Presidente da Ucrânia escreveu na rede social: “Espero que este acordo, incluindo o cessar-fogo e a troca de reféns, vá ser monitorizado de forma clara.”

https://twitter.com/ria_novosti/status/507898002854248448

De acordo com a agência noticiosa estatal russa, Ria Novosti, os líderes das “repúblicas das pessoas” de Donetsk e Luhansk continuam a afirmar que se querem separar da Ucrânia.

“Vamos continuar o nosso caminho para cessação com a Ucrânia. O cessar-fogo é uma medida forçada. Ainda existe muito trabalho para fazer”, afirmou Igor Plotnitsky, primeiro-ministro da república de Luhansk.