O desempenho da seleção portuguesa de futebol no Mundial2014 não correspondeu às expetativas que o povo brasileiro tinha, admite o secretário-executivo do ministério do Desporto do Brasil, que estranha a saída tardia do selecionador Paulo Bento.

“Havia grande expectativa e carinho pela seleção portuguesa. Ronaldo era talvez a maior estrela do Mundial. A seleção não correspondeu à expectativa que o povo brasileiro em torno do seu desempenho”, disse Luís Fernandes, em entrevista à agência Lusa.

O facto de ser luso-brasileiro leva Luís Fernandes a admitir que foi duplamente derrotado pela Alemanha — que viria a alcançar o título — por expressivos 11-1.

“Fui duplamente derrotado, perdi com a Alemanha 11-1: 4-0 para Portugal e 7-1 para o Brasil, foi uma goleada ‘acachapante'”, disse.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Luís Gonçalves disse ter ficado surpreendido como o facto Paulo Bento se ter mantido no comando da seleção depois da má campanha no Brasil e considerou que natural a saída, anunciada na quarta-feira, depois de um “resultado impensável com a Albânia (derrota por 1-0)”.

“Surpreendeu-me terem mantido o treinador depois do Mundial do Brasil, porque o desempenho não foi o esperado”, disse, considerando que o mais natural seria “procurar uma mudança, começando pelo treinador, como fez o Brasil”.

O governante admite que teria sido “extremamente importante” para o Brasil vencer o Mundial em casa e classifica a goleada (7-1) frente à Alemanha como “inesperada e dolorosa”.

“Para nós teria sido importante ganhar o Mundial porque exorcizaria o fantasma de derrota de 1950 [2-1 na final frente ao Uruguai]. Foi bastante sentido, sobretudo pela forma: perder por 7-1 e levar quatro golos em seis minutos foi uma derrota inesperada e dolorosa”, disse, admitindo que a Alemanha “mereceu ganhar o Mundial”.

Lembrando que o Brasil continua a ser o único penta-campeão mundial, Luis Fernandes considera que a competição “mostrou graves deficiências” no futebol brasileiro e assegura que estão a ser tomadas medidas.

“É preciso empreender mudanças na gestão do futebol brasileiro, temos que recuperar capacidade de formação dos clubes, estamos a perder atletas muito cedo, sobretudo para a Europa. Queremos recuperar a hegemonia do Brasil”, assegurou.