Paulo Macedo vai propor aos restantes membros da União Europeia a compra conjunta do Sofosbuvir, o medicamento inovador para a hepatite C cuja taxa de cura é superior a 90% e que, em Portugal, custa 48 mil euros por três meses.

A solução pensada pelo ministro da Saúde, escreve o Público, pressupõe que a compra do fármaco seja realizada por todos os Estados membros e por um valor que tenha como referência o preço praticado no Egito — 800 euros. A ideia é indexar o valor ao PIB da zona euro, o que permitiria que o fármaco passasse a custar apenas 10% do valor atual, 4.800 euros.

A proposta, que será apresentada na próxima semana durante um encontro informal entre os ministros da Saúde europeus em Milão, considera que os Estados membros devem comportar a diferença dos preços, já que “o PIB do Egito é 5,93 mais baixo que o da zona euro”. “Os medicamentos inovadores para a hepatite C, recentemente aprovados ou em processo de avaliação, permitem o acesso a tratamentos mais efetivos com possibilidade de cura da doença, e, potencialmente, erradicar a doença na Europa. No entanto, os preços propostos pela indústria farmacêutica constituem uma barreira”, diz a proposta, que acrescenta que é preciso “encontrar um preço justo e comportável para os sistemas de saúde europeus”.

Esta notícia surge um dia depois de o diário ter escrito que a Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) ter anunciado que irá disponibilizar até dezembro o novo medicamento para a hepatite C, aos 100 a 150 doentes que se prevê que durante o próximo ano possam vir a estar em risco de vida devido ao agravamento da infeção. A prioridade será dada aos doentes com cirrose hepática e com as funções do fígado muito descompensadas.