Mário Soares, ex-presidente da República e líder histórico do Partido Socialista (PS), voltou a criticar o atual secretário-geral do partido, António José Seguro, e pediu que este se demita.

“Seguro, se quisesse ter um gesto de patriotismo, em vez de dizer asneiras, como está a dizer, demitia-se – porque ainda podia salvar qualquer coisa, mas se o não fizer sai muito mal”, afirmou, numa conferência destinada a debater o futuro da democracia, organizada pela Câmara Municipal de Portimão, conta o jornal Público. Para Mário Soares, apoiante assumido de António Costa nas eleições primárias do partido, o atual secretário-geral do PS foi “durante muito tempo o associado principal da direita, o grande amigo dele era o Presidente da Republica”. Acrescentou ainda que “Seguro é um inseguro. O PS nada tem a ver com esse do Seguro”.

Ainda no mesmo evento, houve espaço para tecer críticas ao Governo do primeiro ministro, Pedro Passos Coelho, prevendo a queda do mesmo. “Eu disse-vos que a partir de Setembro eles não se iam aguentar, e não se aguentam”, afirmou. Já a justificação para a queda do Governo, afirmou, está no “envolvimento do primeiro-ministro em coisas graves de carácter económico, e não só”, referindo-se ao caso Tecnoforma.

Para Soares o país não pode estar entregue a quem destrói os “valores conquistados com o 25 de Abril de 1974”. Acrescentando mais críticas: “É uma falsa democracia, os ministros não sabem nada do que se passa no país, que está numa situação difícil, com a destruição da Saúde, da Justiça e da Educação”, questionando “onde é que está o serviço de saúde que tivemos no passado”.

Em junho, quando António Costa revelou estar disponível para liderar o PS, Mário Soares afirmou que Costa “vai fazer do PS um grande partido, um partido de esquerda. E não vai ser um PS feito com a direita, só para ter lugares.”

Num artigo de opinião no Diário de Notícias, no rescaldo das eleições europeias, o líder histórico do PS classificou a vitória do partido como “uma vitória de Pirro”. “Isto é: que não devia ter sido aclamada com o entusiasmo com que o seu líder o fez”, explicou o ex-Presidente da República, para quem “o povo falou claro, não quer a direita que está no poder.”

Mário Soares, em entrevista ao jornal i, também já tinha criticado abertamente o secretário-geral do PS: “Espero que Seguro – que é muito inseguro – perceba finalmente que não será primeiro-ministro, como tantas vezes disse que seria, antes de ouvir os socialistas.”