Os gatos são desconfiados. Não se dão facilmente, gostam de andar na sua vida. Mas também gostam de algum mimo. “Os gatos não têm vertigens”, diz o realizador António-Pedro Vasconcelos no seu novo filme, que estreia esta quinta-feira nos cinemas.

Lisboa em tempos de crise. No dia em que faz 18 anos, Jó (João Jesus) participa num furto, é expulso de casa pelo pai e volta a ser ignorado pela mãe. Sem ter sítio para onde ir, refugia-se no terraço do prédio de Rosa (Maria do Céu Guerra), que acaba de perder subitamente o marido e se vê confrontada com um dos grandes problemas da terceira idade, a solidão.

As hipóteses de nascer uma grande amizade entre um jovem desfavorecido e uma culta senhora de 73 anos são escassas. Mas António-Pedro Vasconcelos, que realizou “Jaime” em 1999, gosta de usar o cinema para contar histórias e é o que faz uma vez mais. Jó é desconfiado como os gatos, Rosa deixa-lhe comida às escondidas. Jó começa por não aceitar carinho, mas aprende a confiar nas pessoas. Não se sabe se terá sete vidas, mas a relação com Rosa é o ponto de partida para uma nova.

Com argumento de Tiago Santos e produção da MGN Filmes, “Os gatos não têm vertigens” é uma história de confiança e amor com um final feliz, que vale sobretudo pela premissa e pela interpretação de Maria do Céu Guerra.

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