O presidente do Governo da Madeira defendeu que os madeirenses não estariam em situação tão difícil se tivessem mais autonomia, apelando à unidade para a região conseguir os poderes necessários e livrar-se das crises económicas. “É verdade que o país está em crise. É verdade que estamos todos a passar um mau bocado. É verdade que não passaríamos um bocado tão mau se tivéssemos maior autonomia e muita gente aqui, na Madeira, em vez de andar a brigar uns contra os outros, se se unissem todos para dar à Madeira os poderes que a Madeira precisa para se ver livre destas crises”, declarou Alberto João Jardim.

O governante madeirense falou na inauguração da nova Praia do Almirante Reis, a primeira de quatro grandes obras da reconstrução da aluvião do 20 de fevereiro de 2010 na marginal do Funchal, ao abrigo da Lei de Meios, que representou um investimento de 12 milhões de euros. Jardim destacou que esta obra é uma das evidências da “vontade do povo madeirense de passar por cima das contrariedades e da contrariedade fazer um dia seguinte e fazer algo de bonito e melhor pela sua terra”. “É para mim sempre uma grande alegria, ao fim de 36 anos de governo, poder estar sempre a apresentar coisas novas”, declarou o líder madeirense depois de percorrer aquele espaço no final da avenida do mar.

Esta praia surge no âmbito da intervenção que está a ser feita nos terminais das ribeiras de João Gomes e Santa Luzia, onde com recurso a calhau rolado resultante das escavações na baixa da cidade, contido pela construção de dois esporões e colocação de quebra-mares, irão dissipar a energia das ondas, podendo ser usufruída livremente pela população. Alberto João Jardim realçou que esta obra foi projetada dando cumprimento a uma deliberação do executivo madeirense, “indo de encontro à vontade da população depois das aluviões que marcaram tristemente a região, de reconstruir, renovar e melhorar toda a frente-mar da cidade do Funchal”.

Jardim destacou que este tipo de atuação evidencia a postura do povo madeirense, de “luta contra as contrariedades”, pois quando “há qualquer coisa que sucede de mal, qualquer tragédia, o madeirense passa por cima dela, pensa no dia seguinte, faz da tragédia reconstrução e melhoras as condições da sua terra”.

Segundo o governo regional, as obras que decorrem na frente-mar do Funchal, incluindo o aterro efetuado com os detritos do temporal de 20 de fevereiro de 2010 que provocou mais de 40 mortos, desaparecidos, centenas de desalojados e prejuízos materiais avaliados em 1.080 milhões de euros, têm por objetivo “proteger as infraestruturas daquela zona da marginal da avenida do Mar, antes desprotegida”.