PSD/CDS

Citius: ministra diz-se alvo de más notícias por ter “tocado em interesses”

O palco das jornadas parlamentares PSD/CDS serviu para tudo: de discursos eleitoralistas a acusações. Reforma da justiça "toca em interesses" e é por isso que se fala no Citius, diz a ministra.

Paula Teixeira da Cruz diz que notícias sobre fuga de processos do Citius só surgem porque reforma da justiça vem pôr fim à impunidade

© Hugo Amaral/Observador

Paula Teixeira da Cruz indignou-se esta tarde na Assembleia da República sobre o problema do sistema informático, que se arrasta na Justiça. Depois de, há algumas semanas, ter pedido desculpa pelas falhas no Citius, a ministra da Justiça recusou hoje que faltem processos na plataforma informática e que o assunto só continua – e continuará – a arrastar-se no espaço mediático porque “tocámos em interesses”.

“Vamos continuar a ter notícias sobre isto todos os dias, não tenho dúvidas nenhumas, porque ao reformar e ao fazermos as reformas que fizemos e as outras que se avizinham, tocámos em interesses“, disse, sublinhando que não faltam processos. “Tudo o que estava na versão dois [do Citius] está na versão três”, explicou, durante uma intervenção na sala do Senado da Assembleia da República no âmbito das jornadas parlamentares do PSD/CDS.

Para a ministra, as notícias sobre a fuga de processos só são divulgadas porque “quem reforma toca em interesses, cria condições para o fim da impunidade“. “Isto está à vista de toda a gente: cria condições para o fim da impunidade, mesmo que as mentiras tenham que ser ditas todos os dias e desmentidas todos os dias pelos próprios operadores judiciários. Viu-se a posição dos conselhos superiores, viu-se a posição dos magistrados do ministério público, viu-se a posição dos próprios solicitadores”, argumentou.

Antes, a ministra tinha descrito o estado em que encontrou o setor da justiça quando chegou ao Ministério há quase quatro anos, apontando baterias ao Partido Socialista. “É preciso apontar o dedo a quem nos pôs nesta situação e que quer voltar como se tivesse tirado só umas longas férias”, disse.

Aguiar-Branco e o PS (de Seguro ou de Costa)

No momento destinado a apresentar aos deputados da maioria o quadro orçamental previsto para o ministério da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco preferiu falar mais de eleições. “Não temos de estar preocupados em saber se o líder do PS é António José Seguro ou António Costa, o que nos deve preocupar é aquilo que temos pela frente nos próximos quatro anos”, disse, mostrando certezas numa vitória do PSD em 2015 e sublinhando que o atual Governo fez história e criou uma “nova doutrina”.

Para Aguiar-Branco, o atual Governo criou uma “nova doutrina que ultrapassa a lógica partidária” e levou a cabo “verdadeiras reformas estruturais” que contrastam, diz, com as ideias deixadas pelo anterior governo. “Há quatro anos a ideia para gerar riqueza assentava sobretudo em construção e em quatro ou cinco campeões nacionais”, atirou, sublinhando que não era dada importância ao “resto das milhares de empresas”.

De agora em diante, diz o ministro da Defesa, “nenhum governo voltará a poder ganhar eleições com base em promessas de construção de autoestradas”.

Uma “nova realidade”, diz, que o governo PSD/CDS instaurou e que deverá consolidar “nos próximos quatro anos”. Isto é, num cenário em que vence as eleições. “Não vamos vencer as eleições por sermos menos maus que o dr. António Costa, mas por sermos melhores”, reiterou, depois de, à semelhança dos restantes ministros, ter feito um “exercício de memória” para pintar um cenário negro sobre as finanças do setor herdadas do anterior Executivo. “Lá no Ministério da Defesa costumávamos dizer que cada um de nós, a começar pelo ministro, tinha de ser um bocadinho ministro das Finanças”, disse, elogiando a “primeira grande reforma estrutural” que foi feita na Defesa.

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