Há pouco mais de um ano, os clientes do Montepio tinham à sua disposição um depósito muito especial: os juros poderiam ser de 7% no final de um ano. Se quisessem saber mais, seriam informados que a taxa a pagar dependeria de quatro ações de grandes empresas: Vodafone, McDonald’s, Royal Dutch Shell e Pfizer.

Um ano depois, o depósito Montepio Cabaz Diversificação 2013 rendeu uns magros 0,36%. Os aforradores teriam ficado mais bem servidos com um simples depósito a prazo. Em setembro de 2013, quando o banco promoveu o depósito indexado, a taxa média das aplicações até um ano na banca nacional era de 1,4%, depois de descontar os impostos.

Quem leu atentamente o prospeto informativo do Montepio Cabaz Diversificação 2013 ficou a saber que ganhar 0,36% era a terceira e última hipótese de remuneração. Quem está a par dos produtos financeiros complexos, como este depósito do Montepio, sabe que normalmente a hipótese menos lucrativa é a mais provável. A prová-lo está a lista de depósitos indexados compilada pelo Banco de Portugal. São muitos os que renderam menos de 1% por ano e, por vezes, o resultado é nulo. Aconteceu pela última vez em junho, com o Depósito Indexado Valorização Petróleo do Banco Big.

A subscrição de outros produtos financeiros complexos que não sejam depósitos indexados pode ter resultados negativos. Em vez de deixar o seu dinheiro à mercê da sorte, leia o prospeto antes de subscrever e, se encontrar as palavras “produto financeiro complexo” logo nas primeiras linhas, vá à procura de soluções menos criativas para o seu dinheiro.